[PREVIEW CFB 2016] Sun Belt Conference

[PREVIEW CFB 2016] Sun Belt Conference

A Sun Belt é, tradicionalmente, o patinho feio da FBS. Não à toa: em 2015, apenas quatro equipes da conferência conseguiram se tornar elegíveis para jogar um Bowl Game. Nos confrontos contra equipes de fora da conferência, apenas Appalachian State venceu mais jogos do que perdeu, com desempenho 3-1. A própria conferência faz zoação consigo própria e se chama de Fun Belt de vez em quando, mas o faz somente para esconder os seus fracassos.

A fraqueza geral da conferência também é constatada quando equipes da FCS que recém entraram na Sun Belt – Georgia Southern e Appalachian State – já conseguem se sobressair sobre seus rivais – aliás, Georgia Southern faturou o título da conferência em 2014 e Appalachian State quase o conquistou em 2015. Para 2016, a tendência é que o troféu fique novamente entre elas ou Arkansas State, com times como Troy correndo por fora.

Este será o penúltimo ano de New Mexico State e Idaho na conferência. As universidades assinaram acordo com a Sun Belt em 2014 por quatro anos para disputar futebol americano – nos outros esportes, Idaho faz parte da Big Sky, que no esporte é da FCS, enquanto New Mexico State faz parte da Western Athletic Conference (WAC), que deixou de patrocinar o esporte em 2012. Como o contrato não foi renovado, as universidades estão com os dias contados na conferência. Idaho já decidiu que irá para a Big Sky em 2018 e, consequentemente, voltará para a FCS. Já New Mexico State ainda não decidiu seu destino. Além disso, Coastal Carolina – que no beisebol é a atual campeã nacional – entra no futebol americano para a Sun Belt em 2017. 2018 também será o primeiro ano que a conferência terá uma final – a NCAA flexibilizou as regras e não será mais necessário ter 12 equipes e 2 divisões para ter um jogo decisivo. Contudo, ainda não foi decidido quais times irão se enfrentar.

Como a conferência foi em 2015

Fora da conferência, não havia muito para se esperar: todas enfrentaram ao menos uma equipe do Power Five e todas perderam, apesar de quase terem havido upsets: Arkansas State chegou perto de derrotar Missouri, Georgia Southern perdeu para Georgia apenas na prorrogação e Louisiana-Lafayette fez um jogo equilibrado contra Kentucky. Além disso, Appalachian State venceu três dos seus quatro non-conference games – a única derrota veio contra a campeã da ACC e vice-campeã nacional Clemson – e South Alabama derrotou San Diego State, que depois se sagrou campeã da Mountain West. Nos confrontos contra times da FCS, apenas Georgia State conseguiu o feito de sofrer um revés ao perder para Liberty na Semana 5.

Dentro da conferência, os melhores times se sobressaíram: Arkansas State, de uma maneira ou de outra, superou seus rivais de conferência e, com várias vitórias apertadas, venceu todos os jogos dentro da Sun Belt e faturou o título. Depois, vieram as potências emergentes Appalachian State e Georgia Southern – a primeira teve um grande salto de desempenho, enquanto a segunda permaneceu de maneira mais estável com relação a 2014 – as únicas universidades da conferência que venceram na pós-temporada. A surpresa Georgia State as seguiu e conseguiu uma vaga na Bowl Season com quatro vitórias nos últimos quatro jogos para se tornar elegível. South Alabama quase conquistou vaga na pós-temporada, mas perdeu seus últimos três jogos e terminou a temporada com 5-7. Todas os outros times abaixo se revelaram extremamente fracos e incapazes de almejar qualquer coisa: Idaho, Troy, Louisiana-Lafayette, New Mexico State, Texas State e Louisiana-Monroe. Com exceção de Louisiana-Lafayette e Texas State, o desempenho fraco de boa parte destas já era esperado. Muitas destas equipes estão entre as piores da FBS.

Bowls garantidos para a conferência em 2016

Arkansas State representou a conferência no New Orleans Bowl como campeã da Sun Belt. Foto: Stacy Revere/Getty Images

Arkansas State representou a conferência no New Orleans Bowl como campeã da Sun Belt. Foto: Stacy Revere/Getty Images

A Sun Belt possui contrato para disputar três Bowls: o Cure Bowl, o Camellia Bowl e o New Orleans Bowl. Todos eles serão realizados no dia 17 de dezembro de 2016.

Caso o melhor time da conferência seja considerado o time de melhor campanha do Group of Five, o mesmo jogará o Cotton Bowl no dia 2 de janeiro de 2017, também com adversário a definir (ambas as vagas para o jogo são at-larges, ou seja, qualquer time que não seja campeã de alguma conferência do Power Five pode enfrentar o melhor time do Group of Five). Caso isso não ocorra, o campeão da conferência jogará o New Orleans Bowl. Se mais de três equipes da Sun Belt forem elegíveis para disputar um Bowl, as equipes de pior campanha terão de aguardar que hajam mais vagas disponíveis para jogos de pós-temporada do que equipes elegíveis. Caso contrário, ficarão de fora da Bowl Season mesmo sendo elegíveis.

O que esperar da conferência para 2016

Foto: Stephen Dunn/Getty Images

A tendência é que a Sun Belt continue sendo o patinho feio da FBS. Todas as equipes – com exceção de Louisiana-Lafayette – enfrentarão times do Power Five, e é provável que, mais uma vez, todas percam os seus confrontos. Talvez o jogo com maiores chances de upset seja entre Georgia Tech e Georgia Southern na Semana 6. Mesmo assim, a vitória é pouco provável para os Eagles.

Dentro da conferência, poucas coisas mudam: Arkansas State provavelmente continuará como um programa fraco em âmbito geral, mas dentro do que podemos chamar de sua casa, o time segue imbatível e deve lutar pelo bicampeonato. Appalachian State deve ser a maior concorrente pelo título e, como ambas não se enfrentam, podem até mesmo terminar a temporada invictas na Sun Belt. Georgia Southern vem um passo atrás devido às sanções acadêmicas sofridas recentemente. Das outras equipes, Louisiana-Lafayette e Troy são as que mais possuem chances de surpreender e brigar pelo título (ou ao menos lutar por uma vaga na Bowl Season). Todas as outras devem, no máximo, lutar para conquistar as seis vitórias necessárias e se tornarem elegíveis. No entanto, há disparidades entre estas: South Alabama tem muito mais chances de conseguir tal feito do que New Mexico State.

Nível da conferência, de 1 a 10: 1

O que esperar de cada equipe

Appalachian State: É uma das favoritas ao título da Sun Belt. O time vem conquistando progressivamente sua estabilidade na FBS – no ano passado, o time venceu 11 partidas e só não faturou a conferência porque perdeu para Arkansas State. Muitas das principais peças da equipe seguem na universidade para 2016. Com exceção das partidas contra Tennessee e Miami (FL), todas as outras são “ganháveis”. O jogo do ano para o time dentro da conferência certamente será o confronto fora de casa contra Georgia Southern no dia 27 de outubro, em jogo válido pela Semana 9.

Principais jogadores: Taylor Lamb (QB), Marcus Cox (RB), Parker Collins (OL) e John Law (ILB)

Arkansas State: Atual campeã da Sun Belt, a equipe tem condições de repetir o feito: os Red Wolves não enfrentam Appalachian State em 2016 e o jogo mais importante – contra Georgia Southern, na Semana 6 – é em casa. Com exceção da partida contra Troy, todos os outros jogos fora de casa não trazem perigo: Georgia State, Louisiana-Lafayette e Texas State precisam provar muita coisa para baterem de frente com Arkansas State. O time costuma fazer grandes jogos dentro da conferência e quase sempre vence as partidas que prometem mais equilíbrio, e isso compensa o fato de ser uma verdadeira tragédia contra os demais adversários. Mesmo assim, a universidade é um raro exemplo de estabilidade no Group of Five: foram teve quatro treinadores nos últimos cinco anos (três deles ficaram apenas um ano e logo receberam propostas de universidades maiores) e, mesmo assim, o programa vai para a Bowl Season desde 2011 independentemente do treinador.

Principais jogadores: Dijon Paschal (WR), Ja’Von Rolland-Jones (DE) e Xavier Woodson-Luster (ILB)

Georgia Southern: Os Eagles ficam um pouco atrás na luta pelo título da conferência por dois motivos: as recentes punições (entre elas, a perda de 10 das 85 bolsas de estudo pelos próximos dois anos) por violações acadêmicas e a saída do treinador Willie Fritz, que foi contratado por Tulane. Será a primeira vez de Tyson Summers como treinador principal por uma universidade e, por ter formação defensiva, o time deve patinar um pouco no começo (para você que se pergunta do coordenador ofensivo, saiba que ele foi pra Tulane junto) e talvez até perder alguns jogos no começo. Para piorar, o jogo-chave da temporada contra Arkansas State é logo no começo e fora de casa. Palpito de 8 a 9 vitórias para Georgia Southern e outra ida para o GoDaddy Bowl, mas desta vez o final pode não ser muito feliz.

Principais jogadores: Kevin Ellison (QB), Matt Breida (RB) e Jay Ellison (DL)

Georgia State: O time surpreendeu o mundo do College Football em 2015 ao conquistar uma vaga na Bowl Season mesmo depois de perder para um time da FCS (Liberty) e estar com campanha 2-6. Contudo, o desempenho em 2016 não deve se repetir: muitas das vitórias da temporada passada se deveram ao grande desempenho do jogo aéreo da equipe, um dos melhores do país com o quarterback Nick Arbuckle. Ele não estará na universidade em 2016 e todos os outros defeitos do programa voltarão a ser expostos, como uma defesa horrível e um ataque terrestre que pouco ajuda. Este é o cenário perfeito para um time que tem tudo para fazer uma campanha 3-9 e terminar com o técnico Trent Miles demitido.

Principais jogadores: Robert Davis (WR), Penny Hart (WR) e Keith Rucker (TE)

Idaho: A despeito de estar com os dias contados na FBS contados, Idaho possui um time relativamente decente desta vez. Sob o comando de Paul Petrino, irmão mais novo de Bobby Petrino – este que é treinador de Louisville – muito provavelmente os Vandals tem em suas mãos a sua última chance de ir a uma Bowl Season. O time é um dos mais experientes da FBS e repleto de seniors. A equipe aparenta consistência e o calendário permite que Idaho alcance as seis vitórias necessárias. No entanto, o time não pode sofrer upsets. E a Semana 1 já é um teste: o time enfrenta Montana State, futura adversária na Big Sky. Se perder, não pode sonhar com mais nada.

Principais jogadores: Matt Linehan (QB), Buck Cowan (TE) e Austin Rehkow (K/P)

Louisiana-Lafayette: É muito difícil prever qualquer coisa da equipe. Normalmente acostumada a ficar no topo da conferência, 2015 foi um ano extremamente decepcionante, quando terminou com campanha 4-8. Pode ser que tenha sido apenas um acidente de percurso e o time retorne às glórias, ainda mais se considerarmos que a universidade possui um treinador indo para seu sexto ano no comando – algo raro na Sun Belt. Porém, nunca se sabe. O time é relativamente bom e a tabela no começo, com exceção de Boise State, é fácil. Louisiana-Lafayette tem, ao menos, sete jogos que podemos considerar como “ganháveis”. Provavelmente será um ano para os Ragin’ Cajuns voltarem à pós-temporada.

P.S: A universidade tem o cornerback Jeryl Brazil no seu elenco. OLHA O UFANISMO!

Principais jogadores: Elijah McGuire (RB), Otha Peters (LB) e Savion Brown (CB)

Louisiana-Monroe: Um dos piores times da FBS, a equipe tem uma comissão técnica totalmente nova. Louisiana-Monroe venceu apenas uma partida em 2015 e terminou na lanterna da Sun Belt – ou seja, eles foram os piores da pior conferência (qual analogia poderíamos fazer?). Parece difícil fazer pior do que isso, mas não é impossível: os Warhawks enfrentam Oklahoma, Auburn, Georgia Southern e Appalachian State – todos fora de casa. Nem a vitória contra Southern, da FCS, na Semana 1 é garantida. (In)felizmente eles não enfrentarão New Mexico State para ver quem é pior.

Principais jogadores: Ajalen Holley (WR), Lenzy Pipkins (CB) e Tre’ Hunter (S)

New Mexico State: Outra universidade chutada da Sun Belt, os Aggies possuem a receita perfeita para passarem vergonha em 2016: calendário fora da conferência difícil (enfrentam Kentucky e Texas A&M fora de casa, mas devem perder para UTEP e New Mexico também), elenco fraco e uma frustração que vai para o seu 56º ano – a última vez que a equipe foi para a Bowl Season foi em 1960, a seca mais longa de toda a FBS. Por mais que o programa tenha bons jogadores, como o running back Larry Rose III, a tendência – com exceção da partida contra Texas State – é que New Mexico State seja surrada por todos os seus adversários e de todas as maneiras possíveis. O futuro do programa depois de 2017 é totalmente incerto – provavelmente nenhuma conferência a irá querer somente para o futebol americano (a questão geográfica e a (ir)relevância do programa afastam pretendentes) e ser independente não é lucrativo, a não ser que você seja Notre Dame. Pode ser que o programa esportivo esteja próximo do fim sem grandes alegrias e isso pode afetar o psicológico dos jogadores, que já carregam sobre si um peso de decepções muito grande.

Principais jogadores: Larry Rose III (RB), Tyrian Taylor (WR) e Stody Bradley (DL)

South Alabama: Talvez a melhor definição que possamos dar a South Alabama é: “o time do quase”. Em 2015, precisava vencer apenas uma das últimas três partidas para chegar às seis vitórias e se tornar elegível. Não conseguiu. Bateu na trave. Em 2016, isso pode se repetir, pois a tabela é bastante complicada: logo no começo da temporada, os Jaguars viajam para enfrentar Mississippi State, recebem Georgia Southern e depois encaram Louisiana-Lafayette fora de casa. Além disso, ainda enfrentam San Diego State, Arkansas State fora de casa e LSU. Sobraram seis jogos “ganháveis”. O problema é que isso pode novamente falhar. Ao menos a universidade terá 14 titulares de volta para a próxima temporada, o que pode ajudar a equipe na missão de sempre ficar no meio da tabela da Sun Belt.

Principais jogadores: Xavier Johnson (RB), Gerald Everett (TE) e Roman Buchanan (S)

Texas State: 2015 foi um ano decepcionante para os Bobcats e isso resultou na saída de toda a comissão técnica como uma justificativa para os fracassos do programa (até porque a culpa do time não ter recebido nenhum convite para disputar um Bowl Game em 2014 mesmo com campanha 7-5 certamente é do treinador). Everett Withers veio para o seu lugar com uma missão bem amarga: Texas State perdeu 13 titulares ao fim da temporada 2015. E olha que este mesmo time havia vencido apenas três partidas. Ou seja: [a palavra a seguir é impublicável]. Provavelmente o time irá repetir 2015 e terminar novamente com campanha 3-9.

Principais jogadores: Tyler Jones (QB), Ryan Melton (OT) e Dallas McClarty (DT)

Troy: Os Trojans são a maior incógnita da conferência em 2016. Neal Brown vai para o seu segundo ano no comando de Troy e comanda o processo de reconstrução do programa. O ataque está em ascensão e o quarterback Brandon Silvers é um dos principais nomes, com 61,2% de passes completos em 2015. A defesa na temporada passada foi a segunda melhor da Sun Belt em jardas cedidas por jogada, com 5,25. Apesar da tabela no início prever jogos difíceis contra Clemson e Southern Miss, a tabela a seguir é bastante favorável: o time enfrenta as três potências da conferência apenas no fim da temporada, sendo que as partidas contra Appalachian State e Arkansas State são em casa. Troy tem tudo para conquistar ao menos 7 vitórias e, possivelmente, pode vir a conquistar o título da conferência caso faça uma temporada acima da média.

Principais jogadores: Brandon Silvers (QB), Jordan Chunn (RB), Terris Lewis (DE/ILB) 

Palpites para o título da Sun Belt

Aposta segura: Appalachian State

Aposta arriscada: Troy

Aposta improvável: Idaho.

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felipem

Estudante de jornalismo da Universidade Federal de Santa Maria e criador do College Football Brasil. Imparcialidade não existe, College Football é melhor que NFL e apaixonado por esportes. Torcedor da Universidade de Tennessee.