O melhor e o pior da Semana 12: SEC

O melhor e o pior da Semana 12: SEC

A penúltima semana do College Football na SEC é sempre aquela coisa: como muitos times não tem jogos dentro da conferência antes da rivalry week, eles escolhem marcar jogos contra equipes do Group of Five ou da FCS. Quando é o segundo caso, não nos referimos a grandes programas, como North Dakota State ou Jacksonville State: são programas fracos mesmo. Kentucky, por exemplo, teve a audácia de marcar um jogo contra o pior time da FCS nos últimos anos, cujo aproveitamento nos últimos quatro anos é de apenas 2%.

Claro, isso já virou motivo de chacota de toda a FBS. O problema é quando você perde para um time ridículo, como Kansas, e quer cornetar. Nós respondemos ao vivo mesmo o blog da Universidade do Texas do SB Nation:

O melhor

Vanderbilt venceu uma equipe forte e jogando bem. Sim, isso aconteceu

Bastou divulgarem amplamente que times da SEC Leste não derrotam os times da divisão oeste que a mágica aconteceu: na semana passada, Georgia derrotou Auburn e matou a chance de título nacional do Tigers. Neste sábado, foi a vez de Vanderbilt, uma universidade que NÃO está voltada para o futebol americano, derrotar uma Ole Miss empolgada com Shea Patterson e seus milagres produzidos contra Texas A&M na semana anterior.

Patterson, na bem das verdades, não foi mal: apesar de ter completado apenas 20 de 42 passes, lançou para 222 jardas e 2 touchdowns contra uma boa defesa de Vandy – um dos poucos méritos do treinador Derek Mason até aqui. O problema foi a linha ofensiva, que cedeu três sacks e pouco contribuiu nas corridas – foram apenas 90 jardas terrestres no total. Enquanto isso, Ralph Webb deitou e rolou na problemática linha defensiva dos Rebels para produzir 123 jardas e 3 touchdowns – Vanderbilt poderia ter vencido o jogo só com ele.

Com o tropeço, Ole Miss foi para 5-6 e joga contra a rival Mississippi State, de temporada também trágica, no Egg Bowl. O jogo é em casa e o time precisa da vitória para se tornar elegível para a Bowl Season. Vanderbilt também está com 5-6 e joga contra Tennessee em situação exatamente igual, mas os Commodores podem garantir a sua ida para a pós-temporada mesmo com a derrota: com 41 bowls existentes e 82 vagas para serem preenchidas, é muito provável que não haja esta quantidade de equipes com ao menos seis vitórias. Com isso, vão para a Bowl Season os programas com cinco vitórias de melhor coeficiente acadêmico. Vandy, por ser uma universidade altamente voltada para a formação acadêmica, provavelmente ficaria com uma dessas vagas caso faltem times. Para Ole Miss, entrar na Bowl Season pelo coeficiente acadêmico é menos provável.

Shootouts na SEC, uma coisa que você não vê todo dia

A SEC é conhecida por ser a conferência das defesas. Anualmente, universidades da conferência colocam vários defensores de elite como profissionais no draft, mais do que qualquer outra. Porém, algumas equipes renegaram as suas origens neste sábado e produziram shootouts – jogos que são verdadeiros tiroteios e que ganhe a equipe melhor adaptada à situação.

Bom, dois jogos internos fizeram isso: Tennessee recebeu Missouri e, num jogo com dois ataques em spread, uma defesa, sobretudo a secundária, com muitos desfalques e a outra em reconstrução, os Vols venceram por 63-37, num placar digno de College Basketball. O mais incrível é que os Volunteers venceram mesmo cedendo mais de 700 jardas totais. O outro foi entre Mississippi State e Arkansas, que já haviam produzido um shootout no ano passado com Dak Prescott e Brandon Allen como seus respectivos signal callers. Sem eles, desta vez o maior motivo para o placar elevado foram as defesas que, juntas, cederam 1.194 jardas totais. Com menos de dois minutos de jogo, a partida já estava 7-7. Arkansas venceu por 58-42 e acabou com as chances ainda existentes de Bowl Season dos Bulldogs.

O pior

LSU fez tudo o que era possível para perder pra Florida, e conseguiu

Tiger Stadium, Estádio lotado, mais de 100 mil pessoas a seu favor. Leonard Fournette, Derrius Guice, uma excelente linha ofensiva, uma defesa poderosa. Não havia como LSU perder esta partida, mas os Tigers fizeram todo o possível e imaginável para sofrer um upset em casa.

Os Tigers abriram o placar logo no começo da partida e davam cara de que não iriam mais perder a liderança no placar. O jogo terrestre funcionava bem e por muito pouco a equipe não conseguiu abrir 14-3 logo no início do segundo quarto – graças à poderosíssima defesa de Florida, o grande destaque do confronto. Na linha de 2 jardas, Ed Orgeron chama um fake field goal, que dá errado. Logo depois, Florida anota touchdown em um passe de 98 jardas. Só este passe foi mais da metade das jardas totais lançadas por Austin Appleby em todo o jogo (ele teve 144 jardas lançadas no total).

O que se sucedeu depois foi uma batalha de defesas, com pontuações saindo somente de Field Goals. LSU ainda teve uma chance de ouro na linha de 1 jarda na última jogada da partida, mas resolveu chamar uma corrida contra uma defesa poderosa contra o jogo terrestre do outro lado. Nada a declarar. Os Tigers perderam e Florida levou a divisão leste da SEC – agora, é azarão contra Alabama na final por cerca de 3 touchdowns.

A vitória magra de Texas A&M sobre um time do Group of Five mostra o colapso da equipe em novembro

Na semana passada, relatei como Texas A&M simplesmente MORRE no mês de novembro – justamente o mais importante na corrida por título nacional ou de divisão. Ok, os Aggies não perderam desta vez, mas passaram sufoco contra a fraca equipe de UTSA, que luta para garantir uma vaga na Bowl Season jogando na Conference USA, uma das mais fracas da FBS. O que era pra ser uma vitória fácil virou uma briga de foice: os Aggies chegaram várias vezes na redzone para pontuar, mas por vezes saíram sem nada. O ataque terrestre não funcionou e Jake Hubenak foi apenas pragmático diante de um adversário muito inferior. Foi apenas por isso que Texas A&M venceu. E caiu fora do ranking.

É necessário analisar os últimos jogos da equipe: dos últimos cinco, o time perdeu três. E as duas vitórias vieram em jogos fora da conferência contra New Mexico State e UTSA – neste último, como citado, jogando muito pouco. Nesta quinta, a equipe pega LSU que, por mais que tenha perdido para Florida, ainda tem um poderoso ataque terrestre com Leonard Fournette e Derrius Guice. Se os Tigers pontuarem bastante, adeus vitória e hora de questionar o trabalho de Kevin Sumlin que, a meu ver, ainda se sustenta no cargo graças aos primeiros dois anos, quando Johnny Manziel esteve e, apesar do fracasso profissional, fez chover em College Station e não por acaso conquistou o Heisman Trophy.

Kentucky esteve perdendo por duas posses de bola pro pior time da FCS. E só não perdeu porque não tinha como

Austin Peay é um programa de futebol americano de Football Championship Subdivision (FCS), a segunda divisão do College Football. Os últimos anos dos Governors, sobretudo, foram horrorosos: de 2013 a 2016, o time venceu apenas um jogo. UM. O recorde nestes últimos anos é de 1-45 (2,1% de aproveitamento). Além disso, a equipe suspendeu cinco atletas para a partida por irregularidades internas. Era este time que Kentucky recebia para conquistar a sexta vitória e conquistar a ida para a Bowl Season pela primeira vez desde 2010. Um time que não conseguiria nem playoffs na Superliga Nacional no Brasil.

Porém, por alguma razão inexplicável (a justificativa de que Kentucky é uma universidade voltada para o basquete não serve), os Wildcats começaram o jogo sendo dominados por Austin Peay. Os Governors abriram o placar com um touchdown em uma corrida de 19 jardas de Kentel Williams no primeiro quarto e no segundo AMPLIARAM para 13-0 (só pela competência do kicker já é possível analisar a qualidade da equipe) com uma pick six de Gunnar Scholato. Além do 13-0, o pior time da FCS dominava o jogo também no relógio: dos primeiros 16 minutos de jogo, 12 foram de posse de bola de… Austin Peay. Óbvio que o placar era fruto de muita sorte, mas ainda assim injustificável.

Mas tanta ruindade não ia conseguir segurar uma vantagem dessas. Com cinco touchdowns terrestres e dois passes para touchdown de um quarterback que completou apenas cinco lançamentos (e tentou nove), os Wildcats viraram o jogo ainda no segundo quarto e triunfaram por 49-13 para conquistar a tão esperada sexta vitória (a sétima não deve vir porque o adversário é Louisville). Porém, algumas coisas ficaram: o time cedeu 257 jardas terrestres (Kentucky fez apenas 24 a mais no quesito), perdeu em tempo de posse de bola – Austin Peay esteve com ela por 37 minutos e 44 segundos – e em first downs (17 contra 14).

Boa sorte contra Louisville.

Jogador da semana: Rawleigh Williams III, RB – Arkansas

Rawleigh Williams III foi um monstro na vitória dos Hogs sobre Mississippi State: em apenas 16 carregadas, anotou 205 jardas (média de 12,8 jardas por tentativa) e 4 touchdowns, além de ter lançado um passe para touchdown (não, você não leu errado, ele lançou mesmo). 191 dessas jardas e os 4 touchdowns corridos foram anotados ainda no primeiro tempo. Williams foi o primeiro não-quarterback em todo o College Football em 2016 a correr para quatro touchdowns e a lançar para um em um único jogo.

Se você não acredita no passe para touchdown, aqui vai o vídeo (jogada a partir de 6:15).

Jogada da semana

A jogada da semana é a incrível segurada da defesa de Florida sobre Derrius Guice na linha de 1 jarda. A parada defensiva garantiu a vitória e o título da SEC Leste.

Resultados dos times da SEC na Semana 12

Sábado, 19 de novembro:

#1 Alabama Crimson Tide 31-3 Chattanooga Mocs (FCS)
#15 Auburn Tigers 55-0 Alabama A&M Bulldogs (FCS)
#16 LSU Tigers 10-16 #23 Florida Gators
#19 Tennessee Volunteers 63-37 Missouri Tigers
#25 Texas A&M Aggies 23-10 UTSA Roadrunners
Georgia Bulldogs 35-21 Louisiana-Lafayette Ragin’ Cajuns
South Carolina Gamecocks 44-31 Western Carolina Catamounts (FCS)
Kentucky Wildcats 49-13 Austin Peay Governors (FCS)
Mississippi State Bulldogs 42-58 Arkansas Razorbacks
Vanderbilt Commodores 38-17 Ole Miss Rebels

Jogos dos times da SEC na Semana 13

Quinta, 24 de novembro:

22h30: Texas A&M Aggies vs. LSU Tigers

Sexta, 25 de novembro:

17h30: Missouri Tigers vs. Arkansas Razorbacks

Sábado, 26 de novembro:

15h: #11 Louisville Cardinals vs. Kentucky Wildcats
15h: Georgia Bulldogs vs. Georgia Tech Yellow Jackets
18h30: #1 Alabama Crimson Tide vs. #13 Auburn Tigers
18h30: Ole Miss Rebels vs. Mississippi State Bulldogs
22h30: #4 Clemson Tigers vs. South Carolina Gamecocks
22h30: Vanderbilt Commodores vs. #17 Tennessee Volunteers
23h: #14 Florida State Seminoles vs. #15 Florida Gators

Foto: Jerome Miron/USA Today Sports

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felipem

Estudante de jornalismo da Universidade Federal de Santa Maria e criador do College Football Brasil. Imparcialidade não existe, College Football é melhor que NFL e apaixonado por esportes. Torcedor da Universidade de Tennessee.