O melhor e o pior da Semana 7: SEC

O melhor e o pior da Semana 7: SEC

A Semana 7 foi útil para mostrar quem realmente manda na conferência: Alabama. A não ser que uma hecatombe ocorra, o título da SEC dificilmente sairá das suas mãos. No mais, Mississippi State perdeu – pra variar – Vanderbilt ganhou (e de um time da SEC fora da casa, Georgia), Ole Miss deu adeus às poucas chances de título nacional, a divisão leste ficou aberta com a segunda derrota interna de Tennessee e dá chances para – mais uma vez – Florida acreditar e levar novamente a divisão.

Confira tudo o que aconteceu na nossa querida e insana SEC:

O melhor

Alabama. Apenas isso

É difícil definir com precisão a qualidade da equipe de Alabama. Sério. O time não está apenas um degrau acima dos seus adversários de SEC, mas de toda a FBS. É difícil achar um ponto fraco na equipe: com exceção a jogos contra excelentes ataques que jogam em spread, a defesa segue impecável como sempre. Contra Tennessee, limitou a sua rival a apenas 32 jardas terrestres (para título de comparação, Bama anotou 438).

O ataque, que tradicionalmente nunca era o destaque do programa, em 2016 está insano: Jalen Hurts, quarterback dupla-ameaça, é o jogador que Nick Saban nunca teve desde que assumiu. Bom passador e excelente corredor, é uma preocupação constante para o adversário, que quase nunca sabe o que fazer. Embora não tenha lançado para touchdowns, anotou três pelo chão. Embora neste ano o time não tenha um running back de grande renome no backfield, o setor segue imponente com a divisão de carregadas entre Jalen Hurts, Bo Scarbrough e Damien Harris que, juntos, somaram 335 jardas corridas no sábado. Claro, a imponente linha ofensiva ajuda, mas impressiona como o setor, ano após ano, segue dessa maneira. Mérito de Nick Saban.

Neste próximo sábado, Texas A&M é o próximo adversário. Será um gigantesco upset se eles ganharem. Acredito muito que os Aggies sejam um time superestimado, pois está quilômetros atrás de Alabama no quesito qualidade. Bama deve vencer.

Arkansas não está onde está à toa

No início da temporada, o time estava totalmente desacreditado e Bret Bielema era fortemente ameaçado de demissão. Porém, a equipe se superou em todos os quesitos: primeiro na vitória inesperada sobre TCU, candidata ao título da Big 12. Ok, depois sofreu duas derrotas, mas ambas contra times melhores que o seu: Texas A&M e Alabama. Apesar de jogar em casa contra Ole Miss, os Razorbacks eram dados como azarões por tudo e todos. Porém, foi aí que os Hogs provaram que não são a equipe desacreditava que pintavam antes da temporada começar.

Com um jogo terrestre mais efetivo do que o adversário (correu para 200 jardas em 51 tentativas), um ataque aéreo funcionando bem – Austin Allen lançou para 3 touchdowns – e chamadas certas nas horas certas, além de limitar Chad Kelly a apenas 253 jardas e menos de 50% de passes completos, a equipe conseguiu a receita perfeita para o triunfo. Ok, é pouquíssimo provável que o time leve a divisão, já que possui duas derrotas e ambas foram para equipes que estão à sua frente na tabela e, consequentemente, perdendo no confronto direto, mas os Razorbacks mostram uma campanha muito boa e que possivelmente até encaminhe uma campanha 10-2 (por quê não?). Claro, a divisão oeste da SEC é insana, mas o desempenho atual empolga.

O pior

O time de Tennessee sempre foi uma ilusão, e não falo por oportunismo

Até que demorou desta vez, mas Tennessee novamente desiludiu seu torcedor. Os 49-10 sofridos contra Alabama, que até parecem muita coisa mas escondem o fato de que poderia ter sido muito pior, mostram como os Vols na verdade não passam de um time altamente superestimado, mas anos-luz atrás de realmente concorrer a um título de uma conferência como a SEC.

Tudo bem que Alabama é um time que está um degrau acima de todos os demais programas da FBS, mas os problemas já eram evidentes antes mesmo deste jogo. Nos dois confrontos contra equipes do Group of Five, vitórias magras – uma delas com extremo sofrimento ao torcedor. Dentro da SEC, sempre primeiros tempos horríveis. Como a equipe se recuperava no segundo tempo e revertia a vantagem – às vezes na competência, às vezes na sorte ou em alguns milagres defensivos de Derek Barnett, sobretudo – isso ficou escondido e parte considerável da mídia passou a tratar os Volunteers como “o time da virada” e começou a fazer comparações absurdas. Lentamente, toda essa maré positiva no segundo tempo teria que cair por terra alguma hora.

Contra Texas A&M, quase que o milagre novamente aconteceu, mas lá o time já mostrava uma quantidade surreal de erros – dentre eles, estavam passes fáceis dropados, interceptações e fumbles bizarros depois de ganhos gigantescos – que, caso não fossem cometidos, poderiam muito bem dar a vitória a Tennessee. Contra Alabama, já é difícil vencer jogando bem a partida inteira – imagine jogando metade então. Só que contra o Crimson Tide de Nick Saban, os Vols não jogaram bem durante nenhum instante. Só anotou um touchdown e que foi graças a uma excelente posição de campo conquistada em uma das boas jogadas da linha defensiva. No mais, a mesma linha não foi capaz de segurar a forte linha ofensiva de Alabama – o que, de certa forma, até é perdoável. O problema, no entanto, foi a secundária, que cedeu muitas big plays e, embora não tenha cedido nenhum touchdown pelo ar, não conseguiu complicar a vida de Jalen Hurts em nenhum momento.

Perder para Alabama até é aceitável, considerando o nível técnico que a rival está. Porém, perder da maneira que perdeu só mostrou o quão frágil o time é na corrida pelo título nacional, hoje cada vez mais um sonho distante para os seus torcedores.

Georgia e o drama contra times do Tennessee

Primeiro foi contra Tennessee: uma hail mary com o cronômetro zerado para ceder a virada e praticamente dar adeus à corrida pelo título da divisão. Depois foi contra Vandy: tradicionalmente o saco de pancadas da SEC, os Commodores fizeram uma grande atuação, sobretudo defensiva, e limitaram os Bulldogs a apenas um touchdown durante toda a partida – o que, de certa forma, é desastroso (até Western Kentucky fez mais pontos neles). A derrota por 17-16 em casa foi praticamente um sinal: “os times de Tennessee mandam aqui”.

Ole Miss: jogando como nunca, perdendo como sempre

Há ao menos uns 4 ou 5 anos, os Rebels sempre entram como candidatos a título nacional. E conjunto Ole Miss sempre possui. O problema é como a equipe tropeça em pedras no caminho que não deveria. Em 2014, começou super bem, derrotou Alabama, mas caiu nos próprios erros e caiu diante de times mais fracos que Alabama e até mesmo a ele próprio. A mesma coisa se repetiu em 2015: derrotou Bama em Tuscaloosa apenas pela segunda vez na história, mas acabou superada por Florida, Memphis (Memphis!) e Arkansas e viu novamente as chances irem embora.

O ano de 2016 começou um pouco diferente: foram duas derrotas nas três primeiras partidas (para Florida State e Alabama), o que de certa forma até seria compreensível pela força dos adversários. As chances de título nacional, embora remotas, ainda seguiam em pé por conta das derrotas fortes. Contudo, elas foram embora de vez neste sábado. Com um desempenho ofensivo muito abaixo do esperado, Ole Miss não foi páreo à eficiência ofensiva e defensiva de Arkansas e sucumbiu. Levou o touchdown da virada de Jared Cornellius em uma joga muito bem executada a 2 minutos do fim e não conseguiu virar.

É complicado dizer, até porque o College Football é repleto de surpresas e upsets, mas Ole Miss nunca voltará a ser campeã nacional perdendo jogos assim.

Esse onside kick

Nada pode ser pior que esse onside kick de Missouri contra Florida, que venceu por 40-14. Não consegui achar um vídeo no YouTube relativo a essa tentativa miserável, então clique aqui para ver.

Jogador da semana: Rawleigh Williams III, RB – Arkansas

Williams fez seu melhor jogo da temporada contra Ole Miss e foi um dos principais responsáveis pela vitória de Arkansas: foram 180 jardas em 27 carregadas (média de 6,7 jardas por corrida) e, embora não tenha anotado nenhum touchdown terrestre, teve 2 recepções para 18 jardas e 1 TD e certamente ajudou a aliviar a pressão das costas de Austin Allen, que raramente se viu em situações complicadas de conversão.

Jogada da semana

Henre’ Toliver interceptou Chad Kelly com apenas uma mão e fez parecer tudo tão fácil que até causa estranheza. Jogada a partir de 4:03 de vídeo.

Resultados dos times da SEC na Semana 7

Sexta, 14 de outubro:

BYU Cougars 28-21 Mississippi State Bulldogs

Sábado, 15 de outubro:

#9 Tennessee Volunteers 10-49 #1 Alabama Crimson Tide
#22 Arkansas Razorbacks 34-30 #12 Ole Miss Rebels
#18 Florida Gators 40-14 Missouri Tigers
Georgia Bulldogs 16-17 Vanderbilt Commodores
LSU Tigers 45-10 Southern Mississippi Golden Eagles

Texas A&M e Kentucky folgaram.

Jogos dos times da SEC na Semana 8

Sábado, 22 de outubro:

14h: South Carolina Gamecocks vs. Massachusetts Minutemen
17h30: #1 Alabama Crimson Tide vs. #6 Texas A&M Aggies
18h: Missouri Tigers vs. Middle Tennessee Blue Raiders
20h: #21 Auburn Tigers vs. #17 Arkansas Razorbacks
21h30: Kentucky Wildcats vs. Mississippi State Bulldogs
21h30: Vanderbilt Commodores vs. Tennessee State Tigers (FCS)
23h: #25 LSU Tigers vs. #23 Ole Miss Rebels

Florida, Tennessee e Georgia folgam nesta semana.

Foto: Randy Sartin/USA Today Sports

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felipem

Estudante de jornalismo da Universidade Federal de Santa Maria e criador do College Football Brasil. Imparcialidade não existe, College Football é melhor que NFL e apaixonado por esportes. Torcedor da Universidade de Tennessee.