O melhor e o pior da Semana 6: SEC

O melhor e o pior da Semana 6: SEC

Em uma semana com apenas seis jogos internos (caso você tenha entrado em coma em 2011 e tenha acordado agora, saiba que agora a SEC tem 14 times: Missouri e Texas A&M), não tivemos nenhuma grande surpresa no cenário interno. Os candidatos a título nacional venceram, o ataque de Florida anotou só 16 pontos e perdeu por causa dos times especiais, Missouri tomou 40 pontos mais uma vez e Arkansas perdeu feio para South Carolina (essa sim parece uma coisa que não mudou de 2011 pra cá).

O melhor

Trio Alabama-Auburn-Georgia nos deixa sem manchetes

Os três principais candidatos ao título da SEC fizeram seu feijão com arroz neste fim de semana. Georgia visitou Vanderbilt e utilizou praticamente a mesma receita que Alabama para sair com o triunfo, ainda que em proporções um pouco mais equilibradas: dominou o relógio (35 minutos com a bola), teve mais que o dobro de jardas totais (549 contra 236) e passeou com o jogo terrestre (423 jardas pelo chão, além de 4 touchdowns). Vitória previsível e contundente por 45-14, suficiente pra colocar o time no Top 4.

Auburn recebeu Ole Miss e se aproveitou da imensa fragilidade dos Rebels para impor um verdadeiro massacre e triunfar por 44-23. O quarterback Jarrett Stidham só precisou lançar 21 passes, dos quais 14 foram completados e resultaram em 235 jardas e 2 touchdowns. Isso se deve o eficiente jogo terrestre, que anotou 326 jardas. Kerryon Johnson mais uma vez foi o destaque, com 204 jardas e 3 touchdowns. Ole Miss só teve 83 jardas pelo chão e uma média inferior a 3 jardas por corrida, o que obrigou Shea Patterson a lançar muito: foram 51 tentativas e, por incrível que pareça, ele não foi interceptado nenhuma vez. Ainda lançou para 346 jardas e 2 touchdowns, mas as pontuações ocorreram quando o jogo já estava decidido. Quando a bola estava voando pra valer, os Tigers já venciam por 38-3 no início do 2º tempo.

Alabama visitou Texas A&M e também venceu. Não foi como os triunfos anteriores, mas Bama não teve a liderança ameaçada de fato em nenhum momento. Foi uma atuação relativamente segura e o time chegou a estar vencendo por 24-3. Damien Harris novamente foi o destaque, correndo para 124 jardas e 1 TD em apenas 14 carregadas. O que causou um maior sobressalto foi o jogo aéreo, que teve apenas 123 jardas e uma média de 5,6 jardas por tentativa. Porém, é até compreensível o placar apertado, pois os Aggies conheciam muito bem o adversário e a rivalidade da divisão facilita um pouco possíveis upsets, além do fato de jogar em casa. A imprensa não entendeu tão bem assim e eu falarei mais sobre isso abaixo.

LSU não é tão ruim quanto aparenta

Depois da desastrosa derrota pra Troy, admito que pensei que LSU não iria conseguir mais fazer frente à ninguém nesse ano. Pode até ser que isso ainda aconteça, mas contra Florida o time jogou bem. A defesa conseguiu fazer uma boa partida, cedendo apenas 302 jardas totais, sendo apenas 108 delas pelo ar. Ok, o ataque dos Gators também é horroroso, mas venceu quem foi mais criativo: o uso sucessivo de jet sweeps deu resultado e foi assim que LSU conseguiu caminhar para anotar seus dois touchdowns. E méritos também aos times especiais, que não erraram extra point.

Pior que a culpa pelo erro nem foi do kicker, mas do holder: a bola ainda estava girando na hora do kicker de Florida chutar. Pode parecer apenas uma desculpa, mas saber destes pontos também te faz entender porquê o Blair Walsh errou aquele fatídico Field Goal contra Seattle.

O pior

A imprensa, esta coisa que só vive pegando no pé

Alabama vinha extremamente empolgada. 59-0 sobre Vanderbilt, 66-3 sobre Ole Miss e favorita por 26,5 pontos contra Texas A&M. Mas o time mal conseguiu anotar a quantidade de pontos para superar a própria linha e venceu por “apenas” 27-19.

Em outros tempos, essa vitória seria descrita como um “tudo bem, sempre acontece de ter um time chato pra se ganhar dentro da conferência”, seguida de repetições de frases clichês e media training por parte dos entrevistados do time vencedor – basicamente uma repetição das entrevistas coletivas de todo e qualquer esporte em alto nível. Mas, por algum motivo incompreensível, a imprensa passou a questionar Nick Saban de maneira acintosa sobre uma vitória tão “apertada”. O próprio Saban se revoltou com as perguntas recebidas na coletiva pós-jogo.

De certa forma, este é um monstro que o próprio Nick Saban ajudou a criar e acontece com todo time que vence com considerável domínio: a vitória não passa de uma simples obrigação e só seremos surpreendidos se ocorrer um massacre à lá contra Vandy e Ole Miss. North Dakota State sofre com isso na FCS, Northwest Missouri State na D2, East Mississippi na NJCAA, Real Madrid e Barça na La Liga, Inter na Série B, Boise State na Mountain West, IMG Academy contra qualquer time no High School, etc.

Só que é preciso compreender o cenário e as suas particularidades: a SEC é a conferência mais forte do College Football e não importa quão bom é seu time, você vai correr risco de perder algum jogo interno alguma hora. E isso nem chegou perto de acontecer, pois a menor diferença que Bama teve de liderança no fim foram de 8 pontos com um touchdown a 20 segundos do fim. Antes disso, eram 15. Você não vai empolgar sempre na SEC e os Aggies não são um time morto (ao menos não totalmente).

Talvez a única crítica pertinente que se possa fazer é quanto à eficiência de Jalen Hurts como quarterback. O ataque terrestre ajudou, mas ele teve somente 123 jardas. Em jogos mais complicados, essa falta de profundidade do jogo aéreo pode ser um problema, assim como já havia sido na final nacional contra Clemson.

Bret Bielema, pode ir preparando as malas

É preciso ser honesto: a culpa não é só dele. O time é muito ruim, mas foi recrutado por ele. Na derrota pra South Carolina por 48-22, um desempenho desastroso, sobretudo do ataque, que mandou duas pick six e um fumble retornado para touchdown. Austin Allen também foi horroroso, completando apenas metade dos 24 passes para míseras 84 jardas. O ataque terrestre também não apareceu e nenhum corredor anotou mais que 35 jardas. Os Gamecocks foram bem, é verdade, mas ceder 48 pontos para um time treinado por Will Muschamp é demais.

Com a corda no pescoço, o técnico Bret Bielema vai acompanhar Gary Andersen e será o segundo ex-Wisconsin a ser demitido nesta temporada. O time dificilmente vai à Bowl Season, o que torna a sua saída uma questão de tempo. Você não sofre 48 pontos de um time treinado por Will Muschamp e espera sair impune.

E o próximo jogo é contra Alabama em Tuscaloosa. O time é azarão por 28 pontos e tem apenas 1,9% de chances de vitória, segundo o Football Power Index (FPI) da ESPN americana.

Jogador da semana: Kerryon Johnson, RB – Auburn

De novo ele. 204 jardas e 3 touchdowns em 28 carregadas (média de 7,2 jardas por corrida) contra Ole Miss foi um excelente número no triunfo dos Tigers por 44-23. Na temporada, ele já soma 504 jardas e 12 touchdowns. É um número de TDs terrestres superior ao de 9 equipes da SEC e olha que ele atuou em apenas quatro jogos, pois perdeu os jogos contra Clemson e Mercer (FCS).

Jogada da semana

Primeira jogada ofensiva de Alabama na partida, touchdown. Damien Harris anotou o TD terrestre de 75 jardas presente a partir dos 20 segundos de vídeo e foi importante na vitória do Crimson Tide sobre os Aggies.

Resultados dos times da SEC na Semana 6

Sábado, 7 de outubro:

Texas A&M Aggies 19-27 #1 Alabama Crimson Tide
Vanderbilt Commodores 14-45 #5 Georgia Bulldogs
#12 Auburn Tigers 44-23 Ole Miss Rebels
#21 Florida Gators 16-17 LSU Tigers
South Carolina Gamecocks 48-22 Arkansas Razorbacks
Kentucky Wildcats 40-34 Missouri Tigers

Tennessee e Mississippi State folgaram nesta semana.

Jogos dos times da SEC na Semana 7

13h: Mississippi State Bulldogs vs. BYU Cougars
13h: Tennessee Volunteers vs. South Carolina Gamecocks
16h30: LSU Tigers vs. #10 Auburn Tigers (Tiger Bowl)
16h30: Ole Miss Rebels vs. Vanderbilt Commodores
20h: Florida Gators vs. Texas A&M Aggies
20h15: #1 Alabama Crimson Tide vs. Arkansas Razorbacks
20h30: #4 Georgia Bulldogs vs. Missouri Tigers

Kentucky folga nesta semana.

Foto: C.Morgan Engel

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felipem

Estudante de jornalismo da Universidade Federal de Santa Maria e criador do College Football Brasil. Imparcialidade não existe, College Football é melhor que NFL e apaixonado por esportes. Torcedor da Universidade de Tennessee.