Saiba tudo sobre Alabama e Georgia, finalistas do College Football

Saiba tudo sobre Alabama e Georgia, finalistas do College Football

Pela primeira vez desde que o sistema de playoffs foi criado, duas equipes da mesma conferência se enfrentarão na final do College Football. Como era de se esperar, trata-se da SEC, a mais forte integrante do Power Five. Alabama passou por Clemson com certa facilidade graças à sua insana defesa e Georgia precisou de duas prorrogações para dispensar Oklahoma em uma partida que se tornou um clássico instantâneo.

Com o duelo derradeiro da temporada 2017/18 acontecendo na próxima segunda-feira, trazemos para vocês um pouco mais sobre Alabama e Georgia. A história desses programas, a rivalidade, o caminho para chegar até essa final, os pontos fortes e fracos dos times atuais. Esperamos que esse guia seja o definitivo para que o acompanhamento da partida seja completo e prazeroso!

Alabama Crimson Tide

Um dos programas de futebol americano mais vitoriosos, o Crimson Tide foi fundado em 1892 e conta com 16 títulos nacionais. Eles vem em todas as eras: a pré-AP (quatro: 1925, 1926, 1930 e 1934), a do consenso entre os rankings (nove: 1941, 1964, 1965, 1973, 1978, 1979 e 1992), a do BCS (três: 2009, 2011 e 2012) e a dos playoffs (2015).

Alabama é uma casa de técnicos lendários. Entre 1923 e 1930, foi dirigida por Wallace Wade, que ganhou três títulos nacionais no período e somou recorde de 61-13-4. Atualmente, tem Nick Saban, que dispensa apresentações. No comando do programa desde 2007, já ganhou os louros máximos do College Football quatro vezes e tem uma absurda compilação de 116 triunfos contra apenas 18 reveses.

Nenhum deles, porém, chega ao status de Paul Bryant. O “urso”, como era conhecido, comandou Alabama por vinte e cinco temporadas consecutivas entre 1958 e 1982, com direito a cinco campeonatos nacionais (número que Saban busca igualar). Bryant era cria da casa, tendo jogado e escalado vários níveis como assistente na universidade antes de chegar ao cargo de head coach. Ele faleceu apenas quatro semanas após anunciar sua aposentadoria ao final da temporada de 1982.

A marca registrada do Crimson Tide é sua imponente defesa, que sempre se renova com talentos gigantescos atrás de talentos gigantescos mesmo com uma recorrente partida de atletas para o profissionalismo. O poder do programa é muito grande, sempre se colocando entre os principais recrutamentos ano após ano. Apesar disso, alguns quarterbacks históricos também se formaram por lá: destaque para Bart Starr e Joe Namath.

Georgia Bulldogs

Também fundados em 1982, os Bulldogs não são um programa tão vencedor como Alabama: apenas dois títulos nacionais, um em 1942 e um em 1980. Porém, são muitos os números que mostram o poder dessa universidade no futebol americano universitário – 53 aparições em bowls, dois vencedores do Heisman, 808 vitórias na história.

A paixão dos estudantes (e de seus fãs de forma geral) da Universidade da Georgia pelos Bulldogs é enorme e gera um grande número de tradições. Uma delas data da fundação do programa, no final do século XIX: em noites de vitória do time, o sino da capela do campus é badalado até a meia-noite. Originalmente, cabia aos calouros fazer tal ritual, mas hoje diversos representantes são livres para tal.

Os títulos nacionais vieram em 1942, após uma vitória por 9 a 0 sobre UCLA no Rose Bowl, e 1980, derrotando Notre Dame por 17 a 10 no Sugar Bowl. Os dois são da época que não existia uma final de fato e o campeão era declarado pelo consenso dos diversos rankings existentes.

Em 1980, o treinador era Vince Dooley. Se falamos de Paul “Bear” Bryant, também precisamos falar dele. Foram vinte e quatro temporadas comandando os Bulldogs entre 1964 e 1988. Junto ao título nacional, também vieram seis troféus da SEC e um recorde geral de 201-77-10. Apesar de ter estudado na rival Auburn, nunca foi treinador principal de qualquer outra equipe em qualquer nível do futebol americano. Está vivo até hoje, com 85 anos de idade.

Quando o treinador dos Bulldogs era Glen “Pop” Warner, o criador da Single Wing, um jogo corriqueiro contra North Carolina viu o primeiro passe para frente registrado na história do futebol americano. Foi em 1895, e em uma situação de punt, o atleta dos Tar Heels lançou a bola para um outro atleta que a recebeu e correu 70 jardas para o touchdown. Na época, a jogada era ilegal, mas mesmo assim acabou valendo e decretando a derrota de Georgia por 6 a 0.

O atual técnico de Georgia é Kirby Smart, que está em sua segunda temporada no comando do time. Dando um gosto especial à final, ele é um discípulo de Nick Saban, tendo servido entre 2008 e 2015 como coordenador defensivo do Crimson Tide.

A rivalidade

Alabama e Georgia são rivais de conferência, mas não são dos times que mais se odeiam. Pela máxima “o inimigo do meu inimigo é meu amigo”, deveriam ser até mesmo times com uma relação amistosa, já que ambos nutrem rivalidades muito fortes com Auburn – O “Iron Bowl” e a “Deep South’s Oldest Rivalry”, respectivamente.

A série é liderada por Alabama, com vantagem de 38-25-4. Como não estão na mesma divisão da SEC, as equipes não se enfrentam anualmente. Nessa década, estiveram frente a frente duas vezes, com dois triunfos para o Crimson Tide. O mais memorável foi em 2012, na final da conferência, pelo placar de 32 a 28. Com menos de dois minutos no relógio, o quarterback Aaron Murray foi capaz de liderar os Bulldogs até a linha de cinco jardas do adversário, mas uma sequência de trapalhadas do ataque fez com que o relógio se esgotasse antes que uma tentativa fosse feita em direção à endzone.

Em 1962, um escândalo marcou o confronto entre os dois programas. Alabama venceu Georgia por 35 a 0 na partida de estreia de Joe Namath no futebol americano universitário. Nada de incomum havia em um primeiro momento, até que em 1963 o The Saturday Evening Post soltou uma matéria dizendo que o técnico Paul “Bear” Bryant e o diretor atlético de Georgia, Wally Butts, haviam combinado o resultado, com o plano de jogo e o playbook dos Bulldogs sendo completamente conhecidos pelo head coach do Crimson Tide.

A reportagem foi falada por muito tempo e um grande escândalo na época. Tanto Bryant como Butts alegaram que não havia nenhuma veracidade nela e processaram o Saturday Evening Post. A justiça decidiu que a história era cheia de falhas e que provavelmente era, de fato, mentirosa, e condenou o jornal a pagar cerca de 3 milhões de dólares a Butts por difamação (números que eram gigantescos à época), além de 300 mil dólares a Bryant.

Em 2017

Mais uma vez, Alabama chega à final alavancada por sua defesa. Apenas duas vezes os comandados de Nick Saban cederam mais de 20 pontos aos rivais: na derrota para Auburn no Iron Bowl e numa vitória sobre Missouri. Em todos os setores existem capazes de fazer a diferença e que estão entre os melhores de suas posições em todo o College. A equipe aparece no segundo lugar em todo o país no quesito de defesa terrestre, com 2,6 jardas por carregada em média, e no de defesa aérea, cedendo rating médio de 98,6 aos quarterbacks rivais.

Na linha defensiva, o nose tackle é Da’Ron Payne, que mostrou todo o seu talento na semi-final com uma interceptação e uma recepção de passe para touchdown (!). Os linebackers Rashaan Evans e Mack Brown são estrelas no meio e, na secundária, há ninguém menos que Minkah Fitzpatrick. Seu companheiro, o safety Ronnie Harrison, também é muito bom.

O Crimson Tide parecia destinado a mais uma campanha invicta e uma fácil aparição como #1 nos playoffs até ser surpreendida por Auburn no Iron Bowl – como todos sabemos aqui no Brasil, “clássico é clássico e vice-versa”. Isso fez com que a equipe ficasse fora da decisão da SEC e precisasse torcer por resultados na semana decisiva da temporada regular. Após um pouco de polêmica, a posição de #4 foi garantida.

Se existe um problema com a equipe, é na posição de quarterback. Jalen Hurts, mesmo com só uma interceptação em 2017, destoa do resto. Quando o vemos jogar, vemos um signal caller com sérias limitações na hora do passe. Por isso, o game plan tenta deixá-lo o mais confortável possível mesmo tendo alvos como Calvin Ridley, mais um grande atleta da posição a ser revelado pelo Crimson Tide. Nick Saban continua produzindo futebol americano clássico: corra bem com a bola, tenha uma ótima defesa. E funciona.

Do outro lado, Georgia tenta seguir a filosofia de Saban. Não é à toa, já que o técnico Kirby Smart, como já dissemos, é um discípulo do mestre de Alabama. Os Bulldogs tem várias coincidências com o Crimson Tide nos números: uma derrota na temporada, para Auburn (na temporada regular – depois aconteceu a vingança na final da conferência) e só duas partidas com mais de vinte pontos cedidos (sem contar a semifinal contra Oklahoma) que aconteceram justamente na Deep South’s Oldest Rivalry e diante de Missouri.

O jovem quarterback Jake Fromm, apenas um freshman, mostra talento e move as correntes quando necessário, mas também é pelo chão que a maioria das coisas acontece. O monstro de duas cabeças formado por Sony Michel e Nick Chubb é mortal, como vimos no confronto contra Oklahoma, e protagonizará contra a defesa terrestre de Alabama um dos mais empolgantes matchups da final.

Apesar de ficar um pouco abaixo de Alabama nas estatísticas, a unidade defensiva dos Bulldogs também é excelente. Contra o passe, fica em oitavo lugar no país, cedendo rating médio de 108,1. Destaca-se o número muito baixo de apenas treze touchdowns passados contra essa secundária. Pelo chão, aparece em décimo nono lugar, com 3,5 jardas por carregada.

O principal talento individual da defesa é o linebacker Roquan Smith, um monstro capaz de se movimentar rapidamente de sideline a sideline e impedir avanços consistentemente pelo chão e pelo ar. Também fique de olho em Lorenzo Carter, Davin Bellamy e no safety Dominick Sanders.

O que esperar do jogo

Chamamos diversos especialistas para opinarem sobre o vencedor neste post, mas também deixamos aqui a nossa. As defesas vão dominar os ataques, com toda a força do front seven de Alabama sendo muita para que a linha ofensiva de Georgia abra espaços consistentes para Michel e Chubb e Jalen Hurts tendo sérios problemas contra a secundária dos Bulldogs.

No final, o talento individual deve prevalecer. Pode ser que seja via Chubb e Michel, pode ser que seja via Fitzpatrick, Payne e Evans. A maior possibilidade é que seja do lado de Alabama, que deve dar o quinto título nacional a Nick Saban, igualando assim Paul “Bear” Bryant.

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carlosmassari

Carlos Massari é graduado em Comunicação Social - Midialogia pela Unicamp e atualmente faz pós-graduação em Jornalismo Esportivo. É viciado em todos os tipos de esportes. Cinema, cervejas e viagens também o fazem feliz.