[PREVIEW CFB 2016] Mid-American Conference

[PREVIEW CFB 2016] Mid-American Conference

Em uma das divisões, um incrível equilíbrio. Na outra, uma hegemonia que já dura seis anos, mas pode estar próxima de seu fim. A Mid-American Conference (ou MAC, como costuma ser chamada) não é exatamente um primor técnico – o campeão de 2015 mal tinha uma defesa – mas costuma produzir disputas interessantes, tem rivalidades ferozes e alguns jogadores nos quais vale a pena manter a atenção. É hora de mais um preview de conferência!

Como foi em 2015:

Pelo terceiro ano seguido, Bowling Green e Northern Illinois fizeram a final da MAC. Dessa vez, os Falcons levaram a melhor em um jogo relativamente fácil. O detalhe é que essa foi a sexta aparição consecutiva dos Huskies na decisão da conferência.

Na divisão oeste, como pode-se deduzir da informação acima, foi o sexto título seguido de Northern Illinois. Se essa informação faz parecer que foi fácil, ela é enganosa. Quatro equipes terminaram empatadas com a campanha de 6-2 dentro da conferência, e apenas nos critérios de desempate que os Huskies saíram vitoriosos.

Do lado leste, bem mais tranquilidade para Bowling Green, que usou um ataque potente demais para as defesas da MAC e passou durante todo o ano, vencendo sem que alguém pudesse se mostrar uma ameaça.

Sete equipes se qualificaram para os bowls, com três vitórias e quatro derrotas. O aproveitamento durante a temporada regular foi bom, com mais da metade dos programas chegando à campanha de pelo menos 6-6, mas falhou na pós-temporada. Akron, Toledo e Western Michigan foram os times que conseguiram sair vitoriosos, ganhado respectivamente de Utah State, Temple e Middle Tennessee.

A falta de defesa da campeã Bowling Green, porém, pesou na hora de enfrentar um jogo decisivo, e os Falcons foram atropelados por Georgia Southern em um duelo no qual eram amplos favoritos: 58 a 27, fora o baile.

Vale destacar que a MAC perdeu um integrante para 2016: Massachusetts é agora um programa independente.

Bowls garantidos em 2016:

idaho potato

São cinco os bowls garantidos para a Mid-American Conference em 2016: Miami Beach Bowl, Bahamas Bowl, GoDaddy Bowl, Famous Idaho Potato Bowl e Camellia Bowl. Não existe contrato específico para o campeão da conferência em nenhum deles, sendo que ele pode ser alocado em qualquer um.

Caso o campeão da MAC seja também o time melhor ranqueado pelo comitê entre todos os do “Group of Five”, ele disputa o Cotton Bowl, um dos antigos “BCS Bowls”. Isso aconteceu com Northern Illinois em 2012, e os Huskies perderam para Florida State por 31 a 10.

O que esperar da conferência para 2016:

Equilíbrio. Essa é a palavra que deve definir a MAC em 2016 e torná-la bem interessante.

Se Bowling Green vem de uma campanha na qual atropelou os rivais principalmente devido ao poderio ofensivo, a universidade perdeu todos os seus principais jogadores desse lado da bola e passará por uma temporada de reconstrução. Isso deve abrir espaço para outros programas se digladiarem em busca do título na divisão leste.

O mesmo pode ser dito no oeste: Northern Illinois parece mais vulnerável a cada ano, esteve mais próximo  em 2015 do que em qualquer momento dos últimos seis anos de perder o título da divisão e, pelo menos a princípio, sua versão 2016 parece inferior à do ano passado. Muitos times estão sedentos para acabar com a hegemonia dos Huskies.

De um modo geral, a conferência continua com um nível de intermediário para fraco, podendo eventualmente surpreender times menos qualificados do Power Five, mas não devendo causar um impacto no top 25 em muitos momentos. Fiquem de olho no quarterback de Central Michigan, Cooper Rush, e no wide receiver de Western Michigan, Corey Davis. Eles tem potencial para se destacar em nível nacional.

Alguns potenciais upsets contra times do Power Five: Western Michigan contra Illinois, dia 17 de setembro, e Ohio conta Kansas (apesar que ganhar dos Jayhawks praticamente não configura mais uma zebra), dia 10 de setembro.

Nível da conferência, de 1 a 10: 3

Foto: Allen Kee / ESPN Images

Foto: Allen Kee / ESPN Images

O que esperar de cada time:

Akron: 2015 foi um grande ano para os Zips. Pela primeira vez desde que venceram o título da conferência em 2005, tiveram um recorde com mais vitórias que derrotas e puderam jogar um bowl – do qual, inclusive, saíram vitoriosos. Mas a situação para 2016 é bem mais delicada, já que boa parte dos titulares se formaram ou foram para a NFL, com destaque para a grande estrela, o linebacker Jatavis Brown. É um momento de reconstrução para o programa, que para tristeza de seus fãs já chega após só uma boa temporada. A esperança é que o técnico Terry Bowden consiga que a mentalidade vencedora permaneça na equipe e que o quarterback Thomas Woodson melhore ainda mais como junior, mas três ou quatro vitórias parece ser um palpite realista.

Principais jogadores: Thomas Woodson (QB), John Racha (ILB) e Jamal Marcus (DE).

Ball State: Os Cardinals perderam o técnico Pete Lembo após dezesseis temporadas, o que obviamente é um tremendo baque. Isso, mais uma decepcionante temporada com apenas três vitórias em 2015, faz com que o programa seja outro em processo de reconstrução. Existem mais motivos para otimismo que com os Zips, porém, já que a equipe retorna mais titulares, incluindo o quarterback Riley Neal e seu braço muito potente. O novo técnico, Mike Neu, passou anos na NFL com o New Orleans Saints e pretende implementar um estilo de jogo semelhante, o que favorece seu jovem signal caller. Na defesa, Tim Daoust, vindo de Syracuse, é o novo coordenador, e vai usar uma formação 4-3 que promete ser bastante agressiva. É possível imaginar o time alcançando as seis vitórias e se qualificando para um bowl.

Principais jogadores: Riley Neal (QB), KeVonn Mabon (WR), Joshua Posley (DE).

Bowling Green: Um dos programas mais tradicionais e vencedores da MAC, Bowling Green vem em ótima fase, com três títulos seguidos na divisão leste e sendo o atual campeão da conferência. Mas nada será fácil em 2016: o quarterback Matt Johnson e o wide receiver Roger Lewis, principais responsáveis pelo ataque monumental de 2015, foram embora para a NFL. O técnico Dino Barbers foi para Syracuse. Muitos outros titulares também não estão mais no programa. Os Falcons tentarão se reconstruir mantendo a mesma receita, já que o novo head coach é Mike Jinks, oriundo de Texas Tech e que deve manter o mesmo estilo de spread offense que vem fazendo sucesso. Porém, não se sabe até que ponto os novos atletas irão corresponder, e a performance deve cair em relação aos últimos anos. Pode-se esperar uma briga pela divisão, mas não será surpreendente se o quarto título consecutivo não vier.

Principais jogadores: Austin Valdez (LB), Alfonso Mack (CB), Ronnie Moore (WR).

Buffalo: Jogando na FBS desde 1999, os Bulls nunca venceram um bowl game. Para acabar com esse incômodo tabu, o técnico segundo-anista Lance Leipold promete apostar em uma equipe que confia muito no jogo terrestre e em uma defesa agressiva – o que costuma dar certo no College Football. Jordan Johnson, que correu 812 jardas em 2015 sendo reserva, será o principal responsável para fazer a fórmula funcionar no lado ofensivo, enquanto o cornerback Boise Ross, oitavo no país em passes defendidos, e o safety Brandon Berry, escolhido para a seleção da MAC ano passado, tentarão impedir os ataques adversários de ter sucesso. Existe uma possibilidade boa de o programa melhorar o recorde de 5-7 da temporada de estreia de Leipold.

Principais jogadores: Brandon Berry (S), Boise Ross (CB), Jordan Johnson (RB).

Central Michigan: Vindo de uma temporada na qual disputaram até o fim o título da divisão e fizeram um bowl game equilibrado contra uma escola do Power Five, os Chippewas podem construir sobre esse momento e irem mais longe em 2016. Praticamente toda a defesa, segunda melhor da MAC em jardas por jogo em 2015, retorna, como também o quarterback Cooper Rush, que pode até chegar a ter destaque nacionalmente se continuar evoluindo – foram 25 passes para touchdown em sua temporada de junior. O técnico John Bonamego terá condições de fazer com que sua equipe brigue até o final pelo primeiro troféu da conferência desde 2009.

Principais jogadores: Cooper Rush (QB), Jesse Kroll (WR), Tony Annese (S).

Eastern Michigan: Um dos sacos de pancada da FBS, Eastern Michigan não vai a um bowl game desde 1987 e venceu apenas uma partida em 2015 – a defesa foi historicamente ruim, cedendo uma média de 42,1 pontos por jogo, com a maioria dos danos sendo feitos pelo chão. Neal Nethery chega para ser o novo coordenador defensivo sabendo que vai ter um trabalho absurdo para fazer. As boas notícias ficam do lado ofensivo, já que toda a linha retorna, trazendo experiência e qualidade, como também o quarterback Brogan Roback, que foi o recruta mais bem cotado da história do programa. Se tudo der certo, os Eagles podem melhorar sua campanha e ser um pouco mais dignos, mas ainda parece bem complicado chegar à pós-temporada.

Principais jogadores: Brogan Roback (QB), Shaq Vann (RB), Pat O’Connor (DT).

Brogan Roback

Brogan Roback

Kent State: Os Golden Flashes também não tem muitas histórias boas para contar de seu time de futebol americano: não vencem a conferência desde 1972, nunca ganharam um bowl game. Com apenas nove vitórias em três anos, o técnico Paul Haynes entra na temporada pressionado e sabendo que pode ser sua última caso não faça a equipe jogar. Para que isso aconteça, vai contar com o retorno de 17 titulares, torcendo para que eles possam evoluir. Um problema sério a ser resolvido é a ineficiência do jogo aéreo do time, que lançou mais interceptações que touchdowns em 2015. Se algum atleta conseguir assumir com qualidade essa posição, o cenário é promissor, já que a defesa vem fazendo sua parte, mas sendo constantemente deixada na mão.

Principais jogadores: Terence Waugh (DE), Nate Holley (S), Demetrius Monday (CB).

Miami (OH): Maiores campeões da conferência com quinze títulos, os Redhawks não vem bem das pernas nos últimos anos, mas podem estar mudando positivamente. É uma equipe ainda muito jovem, cheia de sophomores e juniors, mas todos com experiência dentro de campo. É o caso do quarterback Billy Bahl, titular em 2015 como true freshman e que tem tudo para evoluir. Do lado defensivo da bola, JT Jones é o destaque: ele liderou a MAC com 10 sacks na última temporada. Se tudo der certo, lesões não atrapalharem e os atletas alcançarem seus potenciais, o programa pode sonhar com a volta a um bowl game em 2016.

Principais jogadores: JT Jones (DE), Paul Moses (OLB), Mitch Palmer (C).

Northern Illinois: Hegemonia. Essa é a palavra que define o passado recente dos Huskies. Ganhar a divisão não é mais suficiente, e os planos são sempre mais ambiciosos. Em 2015, porém, o recorde de 8-4 na temporada regular foi o pior de todos esses anos de glórias. Ainda é cedo para dizer que o programa está em um declínio, mas é fato que não é tão dominante como já foi dentro da MAC. O talento ainda pode ser suficiente dois dois lados da bola para vencer o título da conferência, mas não é mais uma garantia como parecia ser em anos como 2014.

Principais jogadores: Drew Hare (QB), Ladell Fleming (DE), Levon Myers (OT).

Ohio: Frank Solich vai para sua décima primeira temporada à frente dos Bobcats e provavelmente tem a sua maior chance de conquistar a conferência. Oito jogadores da defesa estão de volta e essa unidade promete ser a melhor da MAC em 2016, com destaque para o middle linebacker Quentin Poling. Do outro lado, existe uma disputa aberta pela posição de quarterback, mas boa parte dos demais titulares são os mesmos de 2015 e já demonstraram qualidade para vencer partidas. O time não é favorito, mas pode acabar com o título pelo menos de sua divisão.

Principais jogadores: Quentin Poling (ILB), Sebastian Smith (WR), Casey Sales (DT).

Toledo: Entre tantos programas com dificuldades históricas e recentes na MAC, os Rockets se destacam pela regularidade, sempre estando pelo menos no meio da tabela e eventualmente beliscando seus títulos. O cenário para 2016 também é positivo, com praticamente todo o ataque retornando. A unidade é bastante explosiva, principalmente graças ao running back Kareem Hunt, que chegou às 1631 jardas em 2014, mas perdeu a temporada passada por lesão. A equipe já demonstrou que pode encarar de frente rivais teoricamente mais fortes, como foi na vitória por 32 a 17 sobre Temple no Boca Raton Bowl de 2015. A classificação para a pós-temporada é praticamente garantida, e todo o resto a partir daí pode acontecer.

Principais jogadores: Kareem Hunt (RB), Treyvon Hester (DT), DeJuan Rogers (S).

Western Michigan: Em 2015, a Mid-American Conference foi vencida pelo ataque imparável de Bowling Green. Quem promete fazer coisa similar agora é Western Michigan. O quarterback Zach Terrell chega ao seu ano de senior após lançar 29 touchdowns e apenas 9 interceptações na temporada passada, e tem à sua disposição o principal recebedor da conferência em Corey Davis. Se a defesa segurar a bronca – e ela tem o talento para isso – os Broncos recebem com justiça a pecha de principais favoritos a vencer a MAC.

Principais jogadores: Corey Davis (WR), Zach Terrell (QB), Asantay Brown (S).

Palpites para o título da MAC:

Aposta segura: Western Michigan

Aposta arriscada: Ohio

Aposta improvável: Ball State

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carlosmassari

Carlos Massari é graduado em Comunicação Social – Midialogia pela Unicamp e atualmente faz pós-graduação em Jornalismo Esportivo. É viciado em todos os tipos de esportes. Cinema, cervejas e viagens também o fazem feliz.