Opinião: o ranking final do comitê foi justo?

Opinião: o ranking final do comitê foi justo?

O ranking final do comitê de seleção do College Football Playoff deu o que falar. A escolha de Alabama em #4 no lugar de Ohio State foi bastante criticada por muitos técnicos, analistas e torcedores. Muitos alegam que Alabama é beneficiada injustamente nos rankings e que não faz sentido colocar uma equipe que sequer venceu a sua divisão em vez de um campeão de conferência.

Mas será que esse julgamento é necessariamente justo? Reunimos alguns jornalistas do meio do College Football para opinar sobre o tão falado ranking final:

Luiz Henrique Santos, Jornalista da Rádio EsportesNET e do High School Football Brasil

As três primeiras posições no CFP já eram mais que previsíveis. Mesmo com uma ressalva aqui e outra ali quanto a quem deveria ser a primeira colocada (Clemson ou Oklahoma), as escolhas seriam as mesmas, não há o que questionar.

Já a quarta vaga, que foi muito debatida por todos, foi muito bem escolhida. O comitê do CFP, que é muito criticado por não ter coerência em algumas de suas escolhas, dessa vez manteve o mesmo critério usado em 2016 para definir a hoje prejudicada Ohio State como a quarta força em relação a Penn State, que havia vencido a Big Ten daquela vez. Dessa vez, Alabama, que nem foi à final da SEC, chega com sua força as semifinais, enquanto os Buckeyes choram por estarem de fora dos quatro melhores. Não há o que reclamar, o comitê acertou completamente.

Pedro Ivo Fonseca, Tipster e Jornalista

A minha opinião sobre o ranking é que ele foi correto, o que é até estranho porque não é costumeiro. O que precisa ser entendido é que a força do calendário é importante, assim como a força de cada derrota. Nesse caso, a única mudança que faria seria com Oklahoma em 1º e Clemson em 2º, mas eu consigo entender como ficou.

O fato de Alabama ter ficado em 4º e Ohio State em 5º entra exatamente no que eu citei: não importa se um time foi campeão de sua conferência quando esse mesmo time sofreu CINQUENTA E CINCO pontos de um ataque mediano como o de Iowa. Já Alabama, por mais que tenha tido um calendário mais fácil, perdeu apenas para Auburn, que é um time ranqueado. Eu concordo com o comitê esse ano, assim como concordei no ano passado.

Carlos Massari, Jornalista do College Football Brasil

Ninguém discute as presenças de Clemson, Oklahoma e Georgia nos playoffs e, portanto, a grande dúvida dentro do top 4 era entre Ohio State, com duas derrotas mas campeão de sua conferência, ou Alabama, que falhou em levantar mais um troféu da SEC mas só perdeu uma vez na temporada. O comitê optou pelo time comandado por Nick Saban, o que provavelmente foi a decisão correta.

Alabama foi muito mais convincente durante toda a temporada, atropelando boa parte de seus oponentes. O único revés foi diante de Auburn, equipe bastante forte e que também lutou por vaga na pós-temporada, fora de casa em um grande clássico. e de forma apertada. Assim, não foi colocada sobre o time uma real nuvem de dúvida sobre sua qualidade. Ao contrário de Ohio State, que foi humilhada por Iowa, uma rival que terminou o ano com campanha de 7-5.

Eu não tenho grandes dúvidas de que Alabama é um time mais forte que Ohio State e não seria justo que o Crimson Tide ficasse de fora dos playoffs por uma derrota no Iron Bowl e nada mais. Pode-se discutir o formato dos playoffs, que segue com apenas quatro times e gera esse tipo de polêmica – apesar dos pesares, acho péssimo que uma temporada invicta não dê a oportunidade a UCF de disputar o título nacional, por exemplo. Mas essa é outra discussão. Na tomada de decisão sobre os times de 2017, o comitê acertou.

Felipe Michalski, Redator-chefe do College Football Brasil

Concordo integralmente com o ranking, talvez alterando os lugares de Oklahoma e Clemson, mas ok. O ranqueamento de Alabama no College Football Playoff é mais do que justo, por mais que me doa dizer isso devido ao fato de torcer para Tennessee. O que é preciso compreender é que o College Football é um imenso Power Ranking: não dá pra medir os times por apenas um critério, um motivo. As equipes disputam calendários diferentes em contextos diferentes, portanto o uso do critério puramente matemático aqui é um erro gigantesco.

Alabama e Ohio State, a meu ver, são universidades que se equivalem em tamanho e poder dentro do futebol americano. Pra você alegar que Bama é favorecida pelos rankings por ser maior, a disputa pela quarta vaga teria que ser não com Ohio State, mas uma Baylor ou TCU, que não são programas tão tradicionais. A escolha do comitê foi bastante funcional: pesando os prós e contras, o Crimson Tide é uma equipe que tem mais condições de fazer frente à Clemson do que Ohio State. E tudo que o comitê não quer é um matchup que termine com uma vitória acachapante da #1 para que as suas escolhas percam credibilidade.

Vale lembrar que os Buckeyes foram beneficiados da mesma maneira que foram prejudicados esse ano: naquela vez, não precisaram se submeter a uma final de conferência em que poderiam colocar tudo a perder. Assistiram, assim como Alabama fez esse ano, a sua rival jogar uma decisão de conferência do sofá de casa. Quando foram às semifinais, tomaram 31-0 de Clemson sem choro nem vela. E se tomassem esse ano, o comitê também seria recheado de críticas. Logo, vejo muita gente que só reclama por reclamar mesmo.

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felipem

Estudante de jornalismo da Universidade Federal de Santa Maria e criador do College Football Brasil. Imparcialidade não existe, College Football é melhor que NFL e apaixonado por esportes. Torcedor da Universidade de Tennessee.