[PREVIEW CFB 2016] Bottom 25, o Top 25 invertido do College Football

Eastern Michigan

Você deve estar se perguntando: por que diabos ranquear as piores equipes da primeira divisão? Qual é o sentido disso? Ninguém torce para esses times. Em nossa defesa, utilizaremos o mais respeitável argumento já conhecido pela humanidade: porque sim.

Seja bem-vindo ao Bottom 25 de pré-temporada. Se você não entende bulhufas alguma sobre como funciona o nosso sistema, este artigo lhe será útil. Além disso, vale ressaltar: embora façamos o ranking de maneira séria, o conteúdo dos posts não o é. Ou seja: ironia, sarcasmo, zoeira, piadas ruins e a criação de um universo totalmente paralelo fazem parte do nosso conteúdo para esta seção.

Este Bottom 25 será o único em ordem inversa. A partir do próximo, a ordem será do #1 ao #25. Confira:

#25. Fresno State Bulldogs

Campanha em 2015: 3-9 (2-6 na Mountain West)

Os Bulldogs saíram de um título de Mountain West há dois anos com Derek Carr de quarterback para desempenharem um 3-9 miserável (ou formidável neste caso) em 2015. O time voltou à sua mediocridade tradicional (ainda que tenha sido mais medíocre no ano passado do que geralmente costuma ser) e venceu apenas três jogos: Abilene Christian (FCS), UNLV (em má fase) e Hawaii (que não necessita de descrição). Só “tropeçou” nas vitórias quando se tratou de pegar times ainda mais fracos que ele. Fresno State trocou os coordenadores ofensivo e defensivo e pode ser que vença mais partidas, mas é ruim até que se prove o contrário.

#24. Purdue Boilermakers

Campanha em 2015: 2-10 (1-7 na Big Ten)

O Power Five é o Group of Five da mediocridade, mas Purdue merece este espaço. Por que? Porque nos últimos três anos, em todos ele perdeu para times do Group of Five. Ano passado, foi para Marhsall e Bowling Green. O time só não fez uma temporada perfeita porque ganhou de Indiana State (FCS) e decepcionou a todos ao derrotar Nebraska. O treinador Darrell Hazell tem um recorde de apenas 6-30 em Purdue e corre sério risco de ser demitido. Caso isso ocorra, ele deverá ser promovido a técnico de uma equipe do Group of Five. Óbvio que Hazell tentará sair desta situação e não aparecer mais aqui, mas o time vem bem na ruindade por enquanto e merece estar aqui.

#23. Louisiana-Lafayette Ragin’ Cajuns

Campanha em 2015: 4-8 (3-5 na Sun Belt)

Acostumada a ficar longe daqui e lutar por títulos de conferência, a equipe teve um 2015 estranho e venceu apenas quatro partidas. Pode ser que o fracasso tenha sido acidental e o time nunca mais volte aqui. Porém, como a Sun Belt é a SEC do mundo paralelo, os seus times sempre possuem um lugar especial nesse ranking.

#22. Florida International Panthers

Campanha em 2015: 5-7 (3-5 na C-USA)

“Ah, mas FIU ficou a uma vitória de ir para a Bowl Season!” Bom, vamos analisar as suas vitórias: elas foram sobre UCF (que terminou 0-12), North Carolina Central (FCS), UTEP (ok, nesse jogo eles venceram bem), Old Dominion (o nome da equipe fala por si só) e Charlotte (que estava em seu primeiro ano na FBS). Talvez se não tivesse perdido para MASSACHUSETTS (isto não é um xingamento, é o nome de uma universidade) e Florida Atlantic, o time não estivesse nesta condição. Como times do Group of Five são ruins até que se prove o contrário…

#21. Kent State Golden Flashes

Campanha em 2015: 3-9 (2-6 na MAC)

Particularmente, eu até gosto de Kent State e queria que o time fosse bom. Porém, é um programa pequeno e com poucos recursos. Logo, os resultados só virão caso haja um bom treinador, o que não é o caso. As vitórias só vieram sobre Delaware State (FCS), Miami (OH) e UMass – todos mais fracos que os Golden Flashes. E bom, é meio difícil perdoar uma derrota por 20-0 pra Akron.

#20. SMU Mustangs

Campanha em 2015: 2-10 (1-7 na American)

Tudo bem que não dava pra se esperar muita coisa de SMU em 2015 depois de uma campanha 1-11 em 2014 (com a única vitória vindo apenas na última partida) e vinda de uma troca de treinador. Porém, o time tinha tudo para não estar mais aqui, mas é praticamente impossível não colocá-los aqui por causa da derrota em casa sofrida contra James Madison, da FCS. As únicas vitórias vieram somente quando foi favorita e enfrentou times piores que James Madison: North Texas e Tulane. Então, esses triunfos não foram nenhuma surpresa mesmo. Deve melhorar em 2016 e sair daqui, mas já falamos sobre a premissa de toda equipe do Group of Five.

#19. UTSA Roadrunners

Campanha em 2015: 3-5 (3-9 na C-USA)

Talvez UTSA tivesse atingido as seis vitórias em 2015 se não resolvesse escolher um calendário BRUTAL fora da conferência (a níveis de Group of Five, claro): Arizona (naquele instante ranqueada), Kansas State, Oklahoma State e Colorado State. Nem USC nesse ano possui um calendário fora da conferência tão brutal. Dentro da conferência, só derrotou a rival UTEP, Charlotte (estreando na FBS) e Rice (que foi mal nesse ano) e foi a única equipe que conseguiu perder para o time miserável de North Texas. Poderia estar até pior ranqueada.

#18. Idaho Vandals

Campanha em 2015: 4-8 (3-5 na Sun Belt)

Os Vandals chegam desacreditados na sua luta pelo título da mediocridade. Apesar de ser o seu penúltimo ano na FBS – e, consequentemente, neste ranking – a equipe possui chances de ir à Bowl Season pela primeira vez desde 2009. A esperança está nos seus veteranos, já que os recrutamentos pioraram desde a decisão da equipe de retornar à FCS. Provavelmente será um dos piores times elegíveis da história, mas aí não temos o que fazer. Mesmo assim, a torcida espera que Idaho não decepcione e perca de 10 a 11 partidas – tarefa complicada, já que a tabela é muito fraca.

#17. UCF Knights

Campanha em 2015: 0-12 (0-8 na American)

Campeão da mediocridade em 2015, um time invicto ao contrário não tem como passar em branco. A história é semelhante à de Fresno State: há dois anos, UCF derrota Baylor no Fiesta Bowl com Blake Bortles. Ano passado, perdia pra Furman (FCS). Hoje, faz parte desse ranking. Os Knights mudaram de treinador e devem apresentar um desempenho suficiente para não ficar entre os primeiros do Bottom 25, mas insuficiente para sair daqui.

#16. Florida Atlantic Owls

Campanha em 2015: 3-9 (3-5 na C-USA)

Os Owls começam a temporada como azarões na luta pelo título da mediocridade. Depois de uma temporada com apenas três vitórias (Charlotte, FIU e Old Dominion) e uma quase vitória sobre Florida, o time trocou de coordenador ofensivo e deve continuar apresentando os mesmos problemas de sempre. Por precaução, está aqui, mas tem boas chances de sair.

#15. Tulane Green Wave

Campanha em 2015: 3-9 (1-7 na American)

Tulane talvez tenha sido um time relevante algumas décadas atrás, mas hoje não passa de um time com um ataque zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz… Por causa disso, as três vitórias vindas em 2015 vieram quando esta era praticamente uma obrigação: Maine (FCS), UCF (em má fase) e Army (que é Army e ponto final). O técnico Curtis Johnson foi demitido e pro seu lugar veio Willie Fritz, de Georgia Southern e sua triple option/flexbone que encanta alguns e causa sono em outros. Por melhor que seja, nada indica que Fritz irá tirar a equipe do buraco já nessa temporada. Porém, não deve lutar pelo título do Bottom 25.

#14. Hawaii Rainbow Warriors

Campanha em 2015: 3-10 (0-8 na Mountain West)

A equipe até merecia uma posição mais alta nesse ranking por me obrigar a ficar acordado até às 5 da manhã, mas julgamentos devem ser feitos com a razão e não com o sono. E a razão nos obriga a dizer que Hawaii é um time horrível e que até ano passado era comandado por um treinador horrível: Norm Chow. Na universidade, terminou com o belíssimo recorde de 11-39 em 4 anos. Em 2015, derrotou apenas Colorado (não é preciso dizer muita coisa sobre eles), UC-Davis (FCS) e Louisiana-Monroe (vitórias fora da conferência contra times da Sun Belt não dão crédito nem pra programas da FCS). Agora a bomba está com Nick Rolovich, que será treinador principal pela primeira vez na sua vida e já deve perder hoje para California. Os Rainbow Warriors são azarões na luta pelo troféu da mediocridade, mas é bom não desacreditar na falta de capacidade da equipe.

#13. Ball State Cardinals

Campanha em 2015: 3-9 (2-6 na MAC)

Ninguém conhece e se importa com Ball State, mas já que estamos fazendo este post não há como deixá-los de fora. O time é extremamente fraco e em 2015 só venceu jogos que não tinha como perder: VMI (FCS), Eastern Michigan (a Alabama do mundo paralelo) e UMass (uma das personificações da palavra fracasso). Pete Lembo só ficou no cargo por um período por causa das boas campanhas de 2012 e 2013, mas no ano passado não houve perdão e ele disse adeus. Para o seu lugar veio Mike Neu, que nunca comandou uma equipe de College Football e isso pode ser uma má ideia. Deve lutar pelo título da mediocridade e o jogo-chave é contra Eastern Michigan no dia 08/11 em casa.

#12. Miami (OH) Redhawks

Campanha em 2015: 3-9 (2-6 na MAC)

A Miami menos conhecida da FBS é uma verdadeira tragédia: um ataque raquítico e sonolento, uma defesa ridícula e um programa em reconstrução. Por isso, o 3-9 de 2015 soa como natural, com vitórias apenas sobre Presbytherian (FCS), Eastern Michigan e UMass. Pode até ser que o time vença quatro ou cinco partidas em 2016 e sair dessa lista, mas os Redhawks são ruins até que se prove o contrário.

#11. Texas State Bobcats

Campanha em 2015: 3-9 (2-6 na Sun Belt)

Texas State é um programa muito azarado. Em 2013, conquistou seis vitórias, mas estava inelegível para a Bowl Season por ainda estar em transição para a FBS. Em 2014, terminou 7-5, mas foi a única equipe com essa campanha que não recebeu nenhum convite. Em 2015, terminou 3-9 e o treinador Dennis Franchione resolveu se aposentar. Com um treinador novo, deve ser um dos piores times da Sun Belt em 2016 e, consequentemente, da FBS. Deve vencer de um a dois jogos e tem chances reais de título do Bottom 25.

#10. Georgia State Panthers

Campanha em 2015: 6-7 (5-3 na Sun Belt)

Ok, o time foi bem em 2015, foi pra Bowl Season, muito legal. Maaaaaas… o principal jogador da equipe e o principal culpado pela boa temporada no ano passado, o quarterback Nick Arbuckle, foi embora. Os problemas na substituição de Arbuckle e de outros atletas já apareceram e mostram que os Panthers voltarão a ser o que eram antes: um time medíocre. Por esse motivo, estão aqui. Não deve lutar pelo título na mediocridade, mas a chance sempre existe.

#9. Kansas Jayhawks

Campanha em 2015: 0-12 (0-8 na Big XII)

O fato dos Jayhawks fazerem parte do Power Five não os impede de estarem aqui. Vice-campeã do Bottom 25 em 2015, saco de pancadas da Big XII e derrotado até mesmo por South Dakota State (FCS), a posição #9 é até baixa para um programa que rasga dinheiro e o esfrega na cara dos seus estudantes. E a desculpa de que a uma comissão técnica no ano passado era nova é pouco convincente: um 0-12 é indesculpável para uma equipe de uma grande conferência e com os recursos que possui. Não deve repetir o 0-12 em 2016 porque enfrenta Rhode Island, mas ficar com apenas uma ou duas vitórias neste ano é bem possível. E a torcida já está preparada caso isso ocorra.

Kansas

#8. Wyoming Cowboys

Campanha em 2015: 2-10 (2-6 na Mountain West)

Por alguns momentos – especialmente no início da temporada – parecia que Wyoming realmente seria o pior time da FBS em 2015. Derrota em casa para North Dakota (não a pentacampeã North Dakota State, é North Dakota mesmo), derrota para Eastern Michigan (aliás, a única equipe que conseguiu tal feito neste último ano) e uma capacidade quase zero de reação. O ano terminou ruim, é verdade, mas ao menos os Cowboys derrotaram Nevada (upset) e UNLV (upset, mas nem tanto). Porém, o time segue fraco e pode repetir o desempenho de 2015 mesmo com UC-Davis e uma Eastern Michigan ainda mais fraca do que no ano passado como adversários.

#7. Louisiana-Monroe Warhawks

Campanha em 2015: 2-11 (1-7 na Sun Belt)

Louisiana-Monroe conseguiu o feito de terminar em último na Sun Belt e só não levou o troféu de pior equipe da FBS por causa de Kansas e UCF, que roubaram a cena no quesito. Mas vamos aos pontos: as únicas vitórias vieram somente sobre Nicholls State (FCS) e New Mexico State (que ainda será citada nesta tabela). Ser saco de pancadas da Sun Belt é praticamente como ser chutado do puteiro por atentado ao pudor. Por isso, obviamente o treinador rodou e o seu substituto lidará com uma situação bem diferente do que encontrava antes em McNeese State. Se perder logo na Semana 1 contra Southern, suas chances do título desta competição miserável aumentam.

#6. Army Black Knights

Campanha em 2015: 2-10

O exército certamente está focado em coisas muito melhores do que jogar futebol americano. Azar o seu: em 2015, só derrotou programas de FCS e similares (Bucknell e Eastern Michigan, respectivamente) e perdeu para Fordham (FCS) em casa na estreia. A única coisa legal pra se esperar deles realmente é incomodar Navy no clássico todos os anos, porque o resto tá difícil mesmo. Pode até ser que vença de duas a três partidas em 2016, mas dois dos seus jogos são contra programas da FCS (Lafayette e Morgan State) e outra partida é uma rivalidade direta (North Texas). Logo, derrotar estas equipes não contam muita coisa no ranking. Só em caso de derrota.

#5. Charlotte 49ers

Campanha em 2015: 2-10 (0-8 na C-USA)

Candidata ao título do Bottom 25 ano passado por estar em transição para a FBS, Charlotte decepcionou logo de cara e venceu as suas duas primeiras partidas contra Georgia State e Presbytherian (FCS), além de perder por poucos pontos em outros confrontos. Para 2016, o time deve melhorar e portanto as chances do programa conquistar o título desta vez são menores, porém ainda existentes. O time terá um matchup decisivo logo na Semana 3, quando recebe Eastern Michigan. O perdedor deste confronto abre vantagem na luta pelo título.

#4. New Mexico State Aggies

Campanha em 2015: 3-9 (3-5 na Sun Belt)

Os Aggies já são presença fixa aqui – quem conhece um pouco sobre College Football sabe disso. Depois de um excelente começo, com 7 derrotas consecutivas, o time infelizmente começou a amargar vitórias. A primeira veio no upset sobre Idaho. Depois, vitórias sobre Texas State e Louisiana-Lafayette – ambas fora de casa – sepultaram de vez as chances de título. Fora da Bowl Season desde 1960 (recorde da FBS), o programa será chutado da Sun Belt ao término da temporada de 2017 e isso deve afetar o seu desempenho. Com um calendário relativamente difícil (para padrões da Sun Belt e um treinador em vias de ser demitido, a chance de uma temporada 0-12 é real.

#3. North Texas Mean Green

Campanha em 2015: 1-11 (1-7 na C-USA)

2015 foi um ano quase perfeito para a equipe de Denton: 11 derrotas – incluindo uma sobre Portland State (FCS) por 66-7, a pior da história de uma equipe da FCS sobre uma da FBS – fato que causou a demissão do treinador Dan McCarney. O único tropeço veio na vitória sobre UTSA, mas tudo aparenta que tenha sido um acidente de percurso. A chegada do quarterback Alec Morris de Alabama ameaça a sua senda de fracassos, mas o fato do time ter um treinador novo para 2016 atenua a situação. Com o programa em reconstrução, é bem possível que vença apenas um ou dois jogos novamente.

#2. Massachusetts Minutemen

Campanha em 2015: 3-9 (2-6 na MAC)

Se antes a desculpa para os seus fracassos era a sua conferência, agora essa justificativa acabou: o programa saiu da MAC e agora é uma universidade independente. Independente disso (perdão pelo trocadilho), UMass perdeu o seu maior destaque, Blake Frohnapfel e possui tecnicamente um dos piores times da FBS. Provavelmente a única vitória sairá sobre Wagner (FCS), o que a coloca como forte candidata a esta galhofa. Só não é #1 porque existe um time insuperável na incompetência e você sabe quem.

#1. Eastern Michigan Eagles

Campanha em 2015: 1-11 (0-8 na MAC)

Ela é insuperável. Ela é a Alabama do mundo paralelo. Sim, isso mesmo. Desde 2009, em apenas uma temporada os Eagles venceram mais do que dois jogos. O time não vai à Bowl Season desde 1987 e sem dúvida treinar Eastern Michigan é um dos empregos mais difíceis do College Football, muito disso pela pequena disponibilidade de dinheiro e recursos. Por causa disso, ela é útil para servir de piada por nós e por toda a mídia especializada. Porém, ela revela também um lado trágico: nada impede que o programa seja fechado nos próximos anos devido aos fracos desempenhos. O gramado cinza já é um dos sinais. E óbvio que isto é péssimo para todo o futebol americano universitário assim como foi o anúncio do fechamento do programa de UAB em 2014.

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felipem

Estudante de jornalismo da Universidade Federal de Santa Maria e criador do College Football Brasil. Imparcialidade não existe, College Football é melhor que NFL e apaixonado por esportes. Torcedor da Universidade de Tennessee.