Preview 2017: #25 South Florida Bulls

Preview 2017: #25 South Florida Bulls

Um dos programas mais jovens da primeira divisão do College Football, South Florida foi um dos melhores times do Group of Five em 2016 e terminou, pela primeira vez em sua história, ranqueada no Top 25 final de uma temporada. O promissor técnico Willie Taggart deixou o programa para treinar Oregon, mas para o seu lugar veio Charlie Strong, demitido de Texas. Com ele no comando, espera-se que o programa consiga, no mínimo, repetir o desempenho do ano passado e lutar por seu primeiro título de conferência e uma ida ao Fiesta Bowl, que seria a sua primeira viagem a um dos principais Bowls da história dos Bulls.

História

Ano de fundação do programa: 1997
Títulos nacionais: 0
Títulos de conferência: 0
Melhor desempenho: Ranqueada em #2 pela Associated Press na Semana 8 de 2007, #19 no final da temporada em 2016

Como foi em 2016

Campanha: 11-2 (7-1 na American)
Bowl Season: Vitória sobre South Carolina no Birmingham Bowl por 46-39.

Junto com Houston, Temple e Navy, South Florida entrou a temporada como forte candidata ao título da AAC. Com seu forte ataque, isso parecia ser realidade. Depois de três vitórias fáceis no começo, os Bulls conseguiram produzir uma partida interessante contra Florida State, mas não conseguiram ser páreos e perderam por 55-35 em casa.

Dentro da conferência, USF passeou com relativa facilidade e venceu 7 dos 8 jogos internos – inclusive um sobre a ranqueada Navy por 52-45 -, mas um tropeço no confronto direto fora de casa contra Temple na Semana 8 custou a vaga na final da conferência, já que ambas terminaram empatadas na classificação. Como um dos melhores times do Group of Five, foi convidada a jogar o Birmingham Bowl contra a cambaleante South Carolina. Depois de abrir vantagem no início, os Gamecocks reagiram e anotaram 15 pontos no último quarto para empatar e levar o jogo para a prorrogação. Lá, contudo, a estrela de Quinton Flowers apareceu e o time venceu na prorrogação por 46-39. Com a campanha 11-2, South Florida terminou a temporada ranqueada em #19, o melhor desempenho dos seus 20 anos de história.

Ranking da classe de recrutamento: #66 (247Sports)

Ataque

O ataque de South Florida foi altamente produtivo em 2016, com números extremamente espetaculares: foram 6650 jardas totais (média de 511 jardas por jogo), com 77 touchdowns (terceira melhor marca da FBS, ao lado de Oklahoma e Washington) e uma média de 43,8 pontos por jogo.

A promessa é de que isso se mantenha para 2017. Mais uma vez, a estrela deve ser o quarterback Quinton Flowers, responsável por 39 touchdowns na temporada passada. No backfield, se não há mais Marlon Mack, que foi para a NFL, há D’Ernest Johnson. Embora fosse apenas o terceiro atleta no depth chart da posição no ano passado, terminou o ano com 111 carregadas para 543 jardas e 8 touchdowns terrestres, sem contar as 293 jardas recebidas para mais 5 touchdowns aéreos. É um atleta ágil e versátil que será bastante utilizado no ataque da equipe.

Já o corpo de recebedores terá apenas um titular retornando, o senior Marquez Valdes-Scanting. Isso não chega a ser um grande problema, já que o ataque dos Bulls é mais baseado no jogo terrestre – ao menos em 2016, com a Gulf Coast Offense de Willie Taggart, o time foi o segundo melhor do país no quesito. Nos demais lugares, os titulares devem ser Tyre McCants como recebedor 2, Chris Barr no slot e Mitchell Wilcox na posição de tight end. Na linha ofensiva, três dos cinco titulares do ano passado retornam para este ano, o que pode auxiliar USF a, ao menos, manter o mesmo nível de 2016. A tendência é que o time mantenha sua forte vocação terrestre, baseada nas options do seu quarterback. Se bem executada, será o suficiente para vencer a imensa maioria dos seus adversários.

Defesa

Se o ataque é bastante produtivo, o mesmo não podemos dizer da defesa. A unidade cedeu 31,6 pontos por jogo de média (3ª pior da AAC) e 5,82 jardas por jogada (4ª pior). É fato que os times de Willie Taggart nunca tiveram seu foco voltado para as defesas, o que não diminui o tamanho do problema. Tanto a proteção contra o jogo terrestre quanto a contra o jogo aéreo figuram na parte de baixo nos rankings da conferência, que é marcada por ter defesas nada excepcionais, embora “decentes”.

Para alívio do torcedor, oito dos titulares do ano passado retornam – e sete são seniors, o que indica que esta é a última oportunidade para produzir algo no setor. A unidade joga na formação 4-2-5, mais focada contra o passe. Em um setor que pouco se destaca, é difícil elencar destaques, mas Devin Abraham, que foi movido de free safety para strong safety nesta temporada, é uma das raras referências do setor. Se South Florida quiser sonhar com voos mais altos, terá que ao menos apresentar uma defesa minimamente aceitável, o que não é impossível de se fazer devido ao bom material humano remanescente.

Comissão técnica

Para este ano, praticamente toda a comissão técnica foi trocada: Willie Taggart deixou o comando para treinar Oregon. Para o seu lugar, veio Charlie Strong, demitido de Texas após mais uma temporada fora da Bowl Season. Nos Longhorns, Strong trouxe atletas promissores, mas teve ataques inconsistentes e defesas horrorosas. South Florida certamente não é o lugar onde ele desejaria estar, mas é o melhor lugar onde ele pode estar hoje: é um emprego com pouquíssima pressão, não pega adversários consideravelmente fortes, aproveita parte considerável do bom trabalho do antecessor e está a um passo de voltar para um grande programa caso traga excelentes resultados.

Para os Bulls, o custo-benefício também é alto: Strong tem a qualidade necessária para comandar uma equipe do tamanho de USF e é um excelente recrutador. Como o estado da Flórida é o terceiro maior celeiro de atletas do país (atrás apenas da Califórnia e do Texas), é preciso saber utilizar sua capacidade a seu favor, considerando a forte concorrência pelos recrutas do estado.

Nas demais posições, outros ex-treinadores de Texas: Sterling Gilbert, ex-coordenador ofensivo dos Longhorns, divide o posto com TJ Weist. Na defesa, Brian Jean-Mary assume o cargo de coordenador defensivo após deixar o posto de treinador de linebackers em Austin.

Principal jogador: Quinton Flowers, QB (Senior)

Quinton Flowers. Foto: Twitter USF Football/Divulgação

Flowers é a estrela maior do poderosíssimo ataque de South Florida. Titular desde 2015, ele é responsável por 7807 jardas e 76 touchdowns. Apesar de ser baixo (1,83m), o atleta é uma forte dupla-ameaça, e suas options costumam enganar muito bem os adversários. Indo para a sua última temporada, esta é a sua chance de ouro de levar os Bulls ao seu primeiro título de conferência da história e, quem sabe, a uma ida a um grande Bowl. Dos jogadores do Group of Five, é o principal candidato ao Heisman Trophy, embora ainda seja claramente um azarão na corrida pelo prêmio.

Twitter: @SpotTheBall_9

Jogo do ano: vs. Temple Owls (21/09)

Embora teoricamente Illinois seja o seu adversário mais forte nesta temporada, Temple não deixa por muito menos, com o diferencial de ser um adversário direto na corrida pela divisão. Em 2015, South Florida amassou Temple e, se embora não tenha tirado a divisão dos Owls naquele ano, atrapalhou as chances da equipe terminar ranqueada no ano. Já no ano passado, a vingança: em clássico direto, o time da Pensilvânia venceu por 46-30 para futuramente encaminhar a conquista da conferência. Curiosamente, ambos os times perderam seus treinadores: Matt Rhule, o reconstrutor do programa de Temple, acabou acertando com Baylor. Em um calendário sem grandes desafios, vencer tais partidas é fundamental na luta pela melhor campanha do Group of Five e uma ida a um dos seis principais Bowls.

Tabela de jogos

26/08: at San Jose State Spartans – CEFCU Stadium, San Jose, CA*
02/09: vs. Stony Brook Sea Wolves (FCS) – Raymond James Stadium, Tampa, FL*
09/09: at. Connecticut Huskies – Rentschler Field, East Hartford, CT
15/09: vs. Illinois Fighting Illini – Raymond James Stadium, Tampa, FL*
21/09: vs. Temple Owls – Raymond James Stadium, Tampa, FL
30/09: at East Carolina Pirates – Dowdy–Ficklen Stadium, Greenville, NC
14/10: vs. UMass Minutemen – Raymond James Stadium, Tampa, FL*
21/10: at Tulane Green Wave – Yulman Stadium, New Orleans, LA
28/10: vs. Cincinnati Bearcats – Raymond James Stadium, Tampa, FL
04/11: vs. Houston Cougars – Raymond James Stadium, Tampa, FL
16/11: vs. Tulsa Golden Hurricane – Raymond James Stadium, Tampa, FL
24/11: at UCF Knights – Spectrum Stadium, Orlando, FL

*: Confrontos fora da conferência.

Previsões

Cenário otimista: Charlie Strong aproveita o forte time herdado e a equipe se afina muito bem. O ataque continua sendo um dos melhores do país e a defesa consegue apresentar um desempenho aceitável. Devido ao fraco calendário, USF termina a temporada regular invicta e vence a conferência, mas fica totalmente alijada da corrida por College Football Playoff. Lhes restará a vaga do Group of Five a um dos seis principais jogos de pós-temporada – provavelmente o Fiesta Bowl.

Cenário provável: O ataque continua produzindo pontos à rodo, mas a defesa continua uma verdadeira peneira, o que faz com que praticamente todos os jogos virem verdadeiros tiroteios. Com isso, acaba tropeçando em jogos decisivos e corre o risco de não levar a divisão.

Cenário pessimista: A chegada de Charlie Strong se caracteriza por um ataque menos espetacular e mais pragmático, o que faz com que o desempenho ofensivo caia. Isso, aliado a uma defesa altamente porosa, faz com que o time sequer consiga concorrer internamente. A equipe fecha com um decepcionante 8-4 e joga um Bowl Game mediano.

Notas

A epopeia da temporada de 2007 e o histórico ranqueamento em #2 no ranking da AP

E se eu te disser que South Florida, por ao menos uma semana, esteve entre os dois primeiros colocados para disputar uma final nacional? Sim, isso aconteceu em 2007.

O ano ficou marcado pelos upsets. Em 59 ocasiões, um time ranqueado em posição inferior ou não-ranqueado venceu um time ranqueado. Dois deles foram extremamente marcantes: o gigantesco upset de Appalachian State contra Michigan na Semana 1 e o maior upset da história por linha de apostas, quando Stanford, azarão contra USC por 41 pontos, derrotou os Trojans por 24-23. As últimas nove semanas da temporada regular se caracterizaram por sete derrotas da equipe ranqueada na posição #2, e em três delas tanto #1 quanto #2 perderam, fato que não acontecia nem por uma única só vez desde 1996.

Fundado em 1997, o programa de futebol americano de South Florida ia apenas para a sua terceira temporada na Big East e a sua 11ª temporada geral. A equipe entrou sem muitas expectativas e não-ranqueada no início da temporada. Tudo mudaria rapidamente: na Semana 2, uma vitória espetacular fora de casa contra Auburn na prorrogação por 26-23 já colocou os Bulls em #23. Na semana seguinte, uma vitória fácil contra outro grande programa, North Carolina. Logo depois, na abertura do calendário interno, USF produziu possivelmente a maior vitória da história do programa: em casa, contra #5 West Virginia, a equipe produziu uma grande partida e venceu por 21-13, pulando para #6. Duas semanas depois, graças a seguidos tropeços, South Florida pulou para um histórico #2 no Top 25 da Associated Press, somente atrás de LSU.

Porém, a equipe decaiu com a mesma velocidade que chegou ao topo. O time perdeu os três jogos seguintes e acabou saindo do Top 25, além de perder toda e qualquer chance de levar a conferência. Ainda conseguiu vencer seus três jogos restantes, mas acabou amassada por Oregon no Sun Bowl e terminou o ano com campanha 9-4, fora do Top 25.

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felipem

Estudante de jornalismo da Universidade Federal de Santa Maria e criador do College Football Brasil. Imparcialidade não existe, College Football é melhor que NFL e apaixonado por esportes. Torcedor da Universidade de Tennessee.