[PREVIEW CFB 2016] American Athletic Conference

[PREVIEW CFB 2016] American Athletic Conference

A American Athletic Conference (AAC) foi a maior surpresa dentre as conferências da FBS na temporada de 2015, com Houston campeã e derrotando Florida State no Peach Bowl, Memphis conquistando um upset contra um time da SEC (Ole Miss) e Navy tendo um ótimo ano na sua primeira temporada como não-independente. A American foi a melhor conferência do Group of Five, e deve novamente ser em 2016. Oito times ganharam convite para um Bowl e um total similar deve ser esperado esse ano, com suas equipes na luta para chegar em um Bowl de ano novo pela segunda vez. Enquanto que Houston é claramente a favorita na divisão oeste, o topo da leste deve ter uma batalha entre USF e Temple. Além disso, pode haver uma surpresa com Cincinnati tendo um dos melhores ataques da AAC, enquanto que UConn recebe melhorias sob o comando de Bob Diaco.

Como a conferência foi em 2015

Dominando o lado oeste, Houston quase terminou a temporada invicta. Os Cougars marcaram 40,6 pontos por jogo, com sua única derrota sendo para UConn, quando seu quarterback titular, Greg Ward Jr, estava lesionado. Para ganhar a divisão, eles bateram Navy numa batalha de quarterbacks brilhantes e saíram com a vitória por 52-31. Na final da conferência, um jogo mais apertado e um triunfo sobre Temple por apenas 24-13. O novo rei da divisão oeste jogou e saiu vitorioso no Peach Bowl contra Florida State e terminou 2015 com o recorde histórico do programa de 13 vitórias em uma única temporada. Os outros dois concorrentes nesta divisão foram Memphis e Navy. Navy achou seu ritmo logo no primeiro ano dentro de uma conferência. Ganharam mais de 11 jogos pela primeira vez na história do programa, derrotaram Army pela 14ª vez consecutiva e ganharam o Military Bowl. Memphis foi o time que mais marcou pontos dentro da conferência e começaram com recorde de 8-0 – incluindo uma vitória sobre Ole Miss em outubro. Porém, os Tigers caíram, perdendo 3 dos últimos 4 jogos, culminando com Justin Fuente deixando o programa para assumir o posto em Virginia Tech.

Na divisão leste os times não foram tão dominantes, mas mesmo assim três tiveram capacidade para ganhar o título. Porém, foi a defesa de Temple que levou os Owls a ter a melhor temporada desde 1979, terminando 10-4 (com uma derrota para Toledo no Boca Raton Bowl), e 7-1 dentro da conferência, conquistando sua divisão. Uma surpresa agradável foi a melhora de USF, que ganhou 7 dos últimos 8 jogos – sendo que nos últimos 3 jogos da temporada tiveram média de 51 pontos por partida – e terminaram 6-2 na American. A decepção desta divisão, e da conferência, foi Cincinnati, que ganhou de Miami, mas perdeu todos os outros jogos considerados grandes, além de sofrer uma sonora surra de San Diego State no Hawaii Bowl.

Oito equipes se qualificaram para os bowls, porém somente duas saíram vitoriosas. Além do já citado Peach Bowl, a outra equipe a ganhar foi Navy, que derrotou Pittsburgh no Military Bowl.

Bowls garantidos para a conferência em 2016

Foto: Todd Kirkland/Icon Sportswire

Foto: Todd Kirkland/Icon Sportswire

A American tem 8 bowls garantidos em 2016, são eles: Military Bowl, Birmingham Bowl, St. Petersburg Bowl, Armed Forces Bowl, Miami Beach Bowl, Bahamas Bowl, Boca Raton Bowl e Cure Bowl. Se Navy estiver elegível, ela automaticamente jogará o Armed Forces Bowl. Além disso, a AAC não tem uma hierarquia de escolha de Bowl, a combinação é baseada nos melhores jogos e de acordo com a geografia.

O campeão mais bem ranqueado das conferências do Group of Five automaticamente recebe uma vaga ou no Playoff, ou no Cotton Bowl – o que foi o caso de Houston ano passado quando jogou o Peach Bowl.

O que esperar da conferência

Com alguns times terminando a temporada com um recorde muito ruim, várias trocas no comando dos times foram feitas na offseason: UCF contratou Scott Frost, Mike Norvell foi para Memphis, East Carolina trouxe Scottie Montgomery e Willie Fritz encontrou Tulane. Fritz é uma das contratações mais importantes em 2016, e promete um impulso para o programa que teve apenas 5 temporadas vitoriosas desde 1988. Frost vai para UCF depois de 7 anos em Oregon, incluindo os últimos 3 como o coordenador ofensivo do programa.

Depois de performances impressionantes e ter 4 times (Houston, Memphis, Navy e Temple) dentro do Top 25 ao longo do ano, a maior questão na conferência é se eles conseguirão repetir o sucesso, agora sem alguns jogadores importantes nos seus elencos. A divisão leste deve ter uma boa disputa entre Cincinnati, Temple e USF pelo topo da tabela. Já a divisão oeste promete já ter um líder óbvio, Houston. Se Houston continuar no mesmo nível, ou melhor, do ano passado, ninguém pode impedir que eles repitam o título da conferência. Agora, se Houston der uma derrapada, Memphis estará logo atrás para brigar pelo primeiro lugar.

A conferência tem a esperança que Houson chegue no Top 4 e consiga uma vaga para o Playoff, mas vamos ser sinceros: para um time do Group of Five entrar no Playoff ele precisa (1) jogar um calendário muito difícil e (2) terminar invicto. Qualquer coisa a menos é um sonho que não será concretizado.

Ranking da conferência: 5

Foto: Scott Kinser/CSM

Foto: Scott Kinser/CSM

O que esperar de cada equipe:

Central Florida: Um completo desastre. É o que foi a temporada dos Knights em 2015. Depois de ganhar o Fiesta Bowl em 2013, seguido por 9 vitórias em 2014, nada pode explicar o que aconteceu para este time terminar o ano 0-12. Nenhuma unidade funcionou dentro de campo, o ataque terminou o ano com apenas 13,9 pontos por jogo e a defesa permitiu pelo menos 40 pontos por partida em cada um dos últimos 5 jogos. Para tentar contornar a situação, chegou Scott Frost para comandar o time depois que George O’Leary desistiu do cargo em outubro do ano passado e se aposentou. Frost vem de Oregon, onde foi coordenador ofensivo por 3 anos e deve aplicar seu estilo de ataque up-tempo e no-huddle para fazer com que o time esqueça o vexame da última temporada. Mesmo assim, UCF deve demorar para ter uma temporada vitoriosa, pois Frost deve precisar de uma ou duas classes de recrutas que encaixem no seu estilo ofensivo.

Principais jogadores: Tre’Quan Smith (WR), Jamiyus Pittman (DT), Taj McGowan (RB)

Cincinnati: Os Bearcats estavam em primeiro lugar na pré-temporada na conferência e eram os favoritos a levar o título, mas mesmo com um dos melhores ataques da American ainda perderam 6 jogos. A temporada com 7 vitórias quebrou uma sequência de 4 anos consecutivos com pelo menos 9 triunfos. A defesa esteve entre as piores da FBS em pontos cedidos por jogo e defesa total, mas o maior problema foi a assustadora margem de turnover de -19. Se considerarmos que o time perdeu 3 jogos da conferência por 9 pontos ou menos, uma pequena melhora nesta parte deve resultar em pelo menos 2 vitórias a mais esse ano. A defesa retorna com 7 titulares e deve melhorar, mas a esperança de ganhar a divisão leste depende de um ataque que teve média de 33,8 pontos por jogo e retorna com 2 quarterbacks experientes: Gunner Kiel e Hayden Moore.

Principais jogadores: Eric Wilson (LB), Zach Edwards (S), Gunner Kiel (QB)

Connecticut: UConn ficou elegível para um bowl pela primeira vez desde 2010 e conseguiu terminar o ano com recorde de 6-6. A divisão leste ainda não tem um favorito claro, então isso é uma razão de otimismo para os fãs. Bob Diaco continua como a esperança dos Huskies e ganhou uma extensão de contrato por 2 anos, mesmo tendo conquistado apenas 8 vitórias em duas temporadas com o programa. O time deve melhorar: com 6 titulares que retornam para uma defesa que liderou a AAC em pontos cedidos, enquanto que o ataque retorna quase intacto e só pode melhorar depois de uma média de apenas 17,2 pontos por jogo ano passado até porque piorar é impossível.

Principais jogadores: Noel Thomas (WR), Folorunso Fatukasi (DL), Jamar Summers (CB)

East Carolina: Os Pirates ganharam de Virginia Tech pelo segundo ano consecutivo, mas isso passou despercebido depois de perder 5 dos últimos 7 jogos da temporada e ficar de fora de um Bowl Game pela primeira vez em 4 anos – o que culminou na demissão de Ruffin McNeill. Para tomar seu lugar, ECU trouxe Scottie Montgomery, ex-coordenador ofensivo de Duke que passou anos ao lado de David Cutcliffe e deve trazer muitas melhoras ao programa. A principal preocupação será substituir o quarterback Kurt Benkert, que se transferiu e deixou poucas opções experientes para seu lugar. O calendário não ajuda: com jogos contra NC State, South Carolina e Virginia Tech, Montgomery deve primeiro passar por uma temporada de reconstrução antes de ter uma temporada vitoriosa em 2017.

Principais jogadores: Isaiah Jones (WR), J.T. Boyd (OG), Fred Presley (DE)

Houston: Os Cougars são os favoritos para ganhar a divisão oeste e repetir o título da conferência. Houston volta com a maioria dos seus jogadores principais, incluindo o quarterback Greg Ward Jr. Eles têm o talento, a equipe tem a técnica, a experiência e o calendário para não só chegar a outro Bowl do ano novo como desafiar o comitê por uma vaga no Playoff. Uma vitória contra Oklahoma logo no início da temporada daria à Houston uma garantia de estar no primeiro ranking dentro do Top 10 e o time ali ficaria desde que esteja invicto. A briga não será fácil: terá de enfrentar Cincinnati, Navy e Memphis fora de casa, além de um duelo com Louisville.  Mesmo assim, Houston é o time a ser batido na American. Eles têm a melhor classe de recrutas e o melhor ataque. Os atuais campeões da conferência são vistos como o time mais forte do Group of Five.

Principais jogadores: Steven Taylor (LB), Greg Ward Jr. (QB), Brandon Wilson (CB)

Memphis: O programa perdeu suas duas melhores armas da última temporada: o treinador Justin Fuente e o quarterback Paxton Lynch. Fuente deixou o time completamente reconstruído, guiando os Tigers para 19 vitórias sob seu comando e melhorando muitos aspectos ruins deixados por Larry Porter. Em seu lugar entra Mike Norvell, ex-treinador assistente de Arizona State. Norvell é de mente ofensiva e deve deixar os Tigers ainda mais perigosos no ataque. Para substituir seu signal caller, Norvell tem 3 jogadores talentosos, incluindo o transferido de Tennessee Riley Ferguson. Memphis tem talento de sobra e deve ter outra temporada boa, mas talvez não tanto quanto a última.

Principais jogadores: Anthony Miller (WR), Genard Avery (LB), Riley Ferguson (QB)

Navy: Depois de uma boa primeira temporada dentro de uma conferência, Navy perde uma peça importante em seu arsenal. O senior Tago Smith assume a posição menos invejável de toda a conferência: substituir o líder de touchdowns de todos os tempos do College, Keenan Reynolds. Os dias em que Reynolds corria sobre todas as defesas sem problemas se foram, e agora Smith tem uma tarefa nada fácil. Porém, ele já tem 18 jogos de experiência e já anotou 9 touchdowns. Ele será apoiado pelo wide receiver Jamir Tillman, que é um jogador dinâmico e deve ser a maior razão pelo sucesso deles esse ano. Os Midshipmen ainda são mais que capazes de ganhar 8 ou 9 jogos em média na AAC.

Principais jogadores: Jamir Tillman (WR), Tago Smith (QB), Daniel Gonzalez (LB)

South Florida: Com um calendário bem montado e com todos os jogadores significantes do ataque de volta do time que foi 8-5 ano pasado, os Bulls podem alterar o balanço de poder da conferência e fortificar a estatura da AAC nacionalmente. Os Bulls contam com o melhor back da American, Marlon Mack, e contam também com o jogo terrestre de seu quarterback Quinton Flowers, que teve quase 1000 jardas terrestres em 2015. USF dominou Temple no seu duelo (44-23), mas os Bulls ainda ficaram a um jogo de ganhar o leste. Mesmo sem levar a divisão, eles mostraram melhora na terceira temporada do treinador Willie Taggart e o programa deve evoluir em 2016. A luta pela divisão será forte, pois os Bulls possuem a melhor coleção de talentos na divisão. A maior questão para Taggart é ter que reconstruir as duas linhas de scrimmage, e o calendário dentro da conferência não é nada facil, com viagens para Cincinnati, Temple e Memphis. Muitos acreditam que os Bulls estejam prontos para ganhar a American e eles podem até estar certos, mas ainda não esse ano.

Principais jogadores: Marlon Mack (RB), Deatrick Nichols (CB), Auggie Sanchez (LB)

SMU: A primeira temporada de Chad Morris no comando dos Mustangs começou com uma troca de bombas contra Baylor logo no jogo de abertura. Tudo parecia estar indo bem para um programa que terminou 1-11 no ano anterior, mas, então, Baylor acabou com com eles na segunda metade do jogo e SMU passou o resto do ano permitindo que os ataques passassem por eles sem muita briga. Com apenas duas vitórias na temporada, eles permitiram 45,7 pontos por jogo – segunda pior média do país, apenas na frente de Kansas – e marcaram apenas 17 pontos no ataque, em média. Chad Morris pode até tentar, mas não parece que os SMU terá um bom ano ainda. Porém, pior não deve – e nem há – como ficar.

Principais jogadores: Jordan Wyatt (CB), Justin Lawler (DE), Courtland Sutton (WR)

Temple: As dez vitórias que os Owls conseguiram ano passado se devem, principalmente, à defesa. O ataque foi apenas o sétimo em pontuação na conferência, mas eles o setor tende a melhorar em 2016 com o retorno do quarterback P.J. Walker e do running back Jahad Thomas. A defesa perdeu seis titulares, mas a linha defensiva vai continuar forte e oportunista. Matt Rhule fez um bom trabalho para os Owls nos últimos anos e há razão para acreditar que ele comandará outra grande temporada este ano.

Principais jogadores: Jahad Thomas (RB), Sean Chandler (S), Dion Dawkins (OL)

Tulane: Mais um time que troca de treinador este ano. Curtis Johnson deixou o programa depois de um recorde de 6-18 nos últimos anos e para seu lugar entrou Willie Fritz, ex-treinador de Georgia Southern. A escola venceu quatro ou menos jogos em 12 das suas últimas 13 temporadas e estavam seriamente mal treinados, com apenas 19,7 pontos por jogo e sem a defesa ao estilo UConn para compensar. Se Fritz conseguir fazer o que ele fez em Georgia Southern, espere o Green Wave ser campeão da AAC mais cedo ou mais tarde. Com uma boa classe de recrutas e um bom elenco de jogadores que retornam, ele certamente tem a chance de levar o time ao sucesso futuramente. Fique de olho no running back Dontrell Hillard, que tem chance de marcar mais de 1000 jardas nesse ataque eletrizante de Fritz.

Principais jogadores: Nico Marley (LB), Tanzel Smart (DL), Dontrell Hillard (RB)

Tulsa: Com média de 9 vitórias por temporada entre 2005 e 2012 e que caiu para 5 entre 2013-2014, o ex-coordenador ofensivo de Baylor, Philip Montgomery, fez um bom progresso no seu primeiro ano no comando ao vencer 6 jogos e receber um convite para um Bowl Game. Contudo, eles podem não ter talento o suficiente para continuar subindo dentro da divisão oeste. Não há muitos fatores para deixar seus torcedores animados para esse ano: enquanto a linha ofensiva sofre um processo de reconstrução, o wide receiver Justin Hobbs vai tentar trazer impacto apesar de tudo. Tulsa tem um calendário favorável contra a divisão leste (East Carolina, UCF e Cincinnati) e retorna com 6 titulares de um dos melhores ataques da conferência. O quarterback Dane Evans lidera o ataque de Montgomery e o retorno de Keevan Lucas de uma lesão deve aliviar a perda de Keyarris Garrett no setor, mas para Tulsa poder realmente assegurar vitórias, ainda deve melhorar sua defesa. A equipe permitiu 39,8 pontos por jogo ano passado e deixou passar quase 300 jardas aéreas por jogo.

Principais jogadores: Justin Hobbs (WR), Keevan Lucas (WR), Trent Martin (LB), Jeremy Smith (DE)

Palpites para o título da American

Aposta segura: Houston

Aposta arriscada: USF

Aposta improvável: SMU

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thais-chuva

Formada em Odontologia pela UFF, assiste mais a ESPN do que passa horas no consultório. Ela se apaixonou por Ohio State em 2002 quando os assistiu uma vitória ao vivo dos Buckeyes dentro do The Shoe e começou a acompanhar o College mais de perto em 2011. Também acompanha a Bundesliga, NBA e MLB. Outros times que disputam sua atenção são os New York Yankees e Bayern de Munique.